Crianças de Ourém partilham tragédia vivida na tempestade
Mais de duas centenas de alunos de Ourém relataram a Marcelo Rebelo de Sousa que ainda vivem sem electricidade e comunicações. O Presidente fala numa “tragédia” que atingiu centenas de milhares de pessoas e percorreu vários concelhos ainda longe da normalidade.
Centenas de crianças do concelho de Ourém disseram ao Presidente da República que continuam a viver em casas sem electricidade e comunicações, uma semana depois da passagem da tempestade Kristin. A revelação surgiu durante a visita de Marcelo Rebelo de Sousa ao Agrupamento de Escolas de Caxarias, onde conversou com alunos do pré-escolar ao 9.º ano.
Sentadas no chão, as crianças responderam às perguntas do Presidente, que quis perceber quantas famílias ainda não tinham água, luz ou comunicações. Se apenas pouco mais de uma dezena levantou o braço quando se falou de falta de água, o cenário alterou-se radicalmente ao falar de electricidade: a esmagadora maioria dos alunos revelou continuar sem luz em casa, situação que se repetiu quando a questão foi a ausência de comunicações.
Várias crianças relataram também que as suas casas ficaram destruídas na noite de 28 de Janeiro. Um dos alunos resumiu o que viveu numa só palavra: “uma tragédia”. Uma descrição que o próprio Presidente reforçou. “Aconteceu uma calamidade que atingiu centenas de milhares de pessoas”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, confirmando que muitos telhados foram arrancados pelo vento e que, em muitos casos, foram as próprias famílias, com ajuda de amigos, que improvisaram reparações ou colocaram lonas. O chefe de Estado disse acreditar que, se repetisse as mesmas perguntas noutra escola do concelho, as respostas seriam “iguais ou ainda mais complicadas”. Pouco antes, tinha estado no Posto de Comando da Protecção Civil de Ourém, onde encontrou dezenas de pessoas à procura de materiais básicos para reparar as habitações.
Celeste Carvalho, residente na Pederneira, contou à Lusa que continua sem electricidade nem água. “A água vem do furo e, como não temos luz, não conseguimos tirar água”, explicou, enquanto aguardava numa longa fila para tentar obter velas e lanternas. Já Florinda e António Verdasca, um casal com mais de 80 anos, procuravam telhas para impedir que “chova em casa como chove na rua”.


