Sociedade | 17-02-2026 10:00

Crise da habitação agrava desigualdades entre concelhos

Crise da habitação agrava desigualdades entre concelhos
Em Benavente os preços médios chegam a ultrapassar os 2.000 euros por metro quadrado - Foto CM Benavente

Subida dos preços das casas e das rendas atinge praticamente toda a região, com Benavente e Santarém entre os concelhos mais pressionados. Municípios do interior mantêm valores mais baixos, mas enfrentam outros desafios.

A crise da habitação em Portugal está a reflectir-se de forma cada vez mais evidente no Ribatejo, onde o aumento dos preços das casas e a escassez de oferta estão a criar desigualdades significativas entre concelhos. Embora a valorização imobiliária seja transversal à região, há municípios onde a pressão do mercado se faz sentir com maior intensidade, dificultando o acesso à habitação por parte das famílias.
Em Santarém, os valores do mercado imobiliário registaram subidas acentuadas nos últimos anos, colocando o concelho entre os que apresentam maiores aumentos de preços a nível distrital. Em várias zonas do concelho, o preço médio da habitação ultrapassa os mil euros por metro quadrado, uma realidade que contrasta com o poder de compra médio da população. Ainda mais expressiva é a situação no concelho de Benavente, onde os preços médios chegam a ultrapassar os 2.000 euros por metro quadrado, um dos valores mais elevados. A proximidade à Área Metropolitana de Lisboa, aliada à procura por alternativas residenciais fora dos grandes centros urbanos, tem contribuído para uma forte pressão sobre o mercado local. Também concelhos como Salvaterra de Magos, Cartaxo e Almeirim registam valores acima da média regional, com preços que variam entre os 1.100 e os 1.900 euros por metro quadrado, reflectindo uma procura crescente tanto para compra como para arrendamento.

Realidades distintas no interior
Em sentido inverso, concelhos como Chamusca, Golegã e Vila Nova da Barquinha continuam a apresentar preços mais moderados. Nestes territórios, a menor densidade populacional e uma economia mais ligada aos sectores agrícolas e rurais têm contribuído para uma pressão imobiliária menos intensa. Ainda assim, a estabilidade de preços nem sempre significa maior facilidade de acesso à habitação, sobretudo devido à menor oferta e ao envelhecimento do parque habitacional. A Golegã é um dos exemplos onde, em 2025, se registou mesmo uma ligeira descida anual dos preços, contrariando a tendência nacional e regional observada na maioria dos concelhos.
A pressão não se faz sentir apenas na compra de casa. O mercado de arrendamento continua particularmente tenso em cidades como Santarém, onde a procura supera largamente a oferta disponível. Esta realidade tem conduzido a uma subida generalizada das rendas, colocando dificuldades acrescidas a jovens, famílias de rendimentos médios e trabalhadores deslocados.

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