EVOA afirma-se como exemplo de equilíbrio entre agricultura, ciência e conservação
O Espaço de Visitação e Observação de Aves (EVOA), localizado na Reserva Natural do Estuário do Tejo, em Vila Franca de Xira, foi palco de uma reflexão alargada sobre o futuro das zonas húmidas. Responsáveis políticos, científicos e gestores do território convergiram na defesa de modelos sustentáveis que conciliem natureza, produção e conhecimento.
O EVOA, integrado na Companhia das Lezírias, foi o cenário das comemorações do Dia Mundial das Zonas Húmidas, numa iniciativa que reuniu responsáveis governamentais, investigadores e representantes de entidades ligadas à conservação da natureza e à gestão do território. A sessão coincidiu com o lançamento da edição de Fevereiro da revista National Geographic Portugal, que dedica um artigo de fundo ao trabalho de conservação desenvolvido no EVOA, localizado no concelho de Vila Franca de Xira, em plena Reserva Natural do Estuário do Tejo, uma das zonas húmidas mais relevantes à escala europeia.
Na abertura da cerimónia, o presidente do Conselho de Administração da Companhia das Lezírias, Eduardo Oliveira e Sousa, sublinhou que o EVOA é o resultado de uma aposta continuada na compatibilização entre actividade agrícola, protecção dos valores naturais e produção de ciência, defendendo que a sustentabilidade ambiental exige também sustentabilidade económica.
“O EVOA não é apenas um espaço para observar aves. É um projecto que vive da gestão activa de habitats, da investigação científica e da convivência histórica entre a agricultura e a natureza”, afirmou o responsável, acrescentando que a viabilidade futura do espaço passa por reforçar a sua atractividade turística e a sua capacidade de gerar valor económico. Eduardo Oliveira e Sousa considerou que a consolidação do EVOA deve ser feita de forma estruturada, alertando para os riscos de um crescimento desordenado. “O turismo é uma indústria sofisticada e tem de ser tratado com seriedade, para que este projecto não se transforme num peso financeiro, mas num activo sustentável para a região”, referiu.
“A agricultura não é inimiga do ambiente”
Presente na iniciativa, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, destacou o EVOA como um exemplo concreto de equilíbrio entre sustentabilidade ambiental, competitividade e coesão territorial, defendendo que a preservação da natureza só é possível com as pessoas que vivem e trabalham no território. “A sustentabilidade ambiental faz-se com o território e com quem o trabalha. Sem pessoas, não há gestão, e sem gestão surgem os problemas que mais prejudicam a biodiversidade”, afirmou o governante, sublinhando o papel dos agricultores, pastores e produtores florestais como aliados da conservação.
José Manuel Fernandes considerou que o Estuário do Tejo, e em particular o EVOA, reúne condições únicas para funcionar simultaneamente como espaço de investigação, educação ambiental e pólo de atracção turística à escala internacional, defendendo um maior investimento na divulgação e valorização destes territórios. O ministro apelou ainda a um maior aproveitamento dos programas europeus de financiamento à investigação, como o Horizonte Europa, para reforçar os projectos científicos e a monitorização contínua das zonas húmidas, lembrando que “a agricultura não é inimiga do ambiente, tal como o ambiente não pode ser inimigo da agricultura”. A sessão incluiu uma visita a um dos observatórios do EVOA e uma mesa-redonda dedicada ao papel da ciência e da gestão activa na preservação do Estuário do Tejo.


