Sociedade | 18-02-2026 18:00

Bombeiros de Pernes alertam para falta de preparação de edifícios e instituições para fenómenos extremos

Bombeiros de Pernes alertam para falta de preparação de edifícios e instituições para fenómenos extremos
Paulo Santos, comandante dos Bombeiros de Pernes - foto O MIRANTE

Passagem da depressão Kristin deixou a descoberto fragilidades estruturais e falhas de planeamento em edifícios e instituições do concelho de Santarém. Os Bombeiros Voluntários de Pernes registaram cerca de meia centena de ocorrências, maioritariamente quedas de árvores e vias obstruídas, e alertam para a falta de investimento em medidas básicas de segurança, como geradores de emergência.

A depressão Kristin voltou a mostrar que o território não está preparado para fenómenos meteorológicos extremos. Em Pernes, os bombeiros registaram cerca de 50 ocorrências, maioritariamente quedas de árvores, e o comandante Paulo Santos alerta para a falta de investimento e de planeamento em edifícios e instituições, sublinhando que “os avisos existem, mas continuam a ser ignorados”. Face aos constrangimentos provocados pela falha no fornecimento de energia eléctrica, o quartel funcionou como ponto de apoio à população, embora, segundo o comandante Paulo Santos, não se tenha verificado uma afluência significativa.
Em articulação com a Câmara Municipal de Santarém, os bombeiros disponibilizaram balneários e cozinha para apoio às pessoas afectadas pela falta de electricidade, um dispositivo que acabou por ser utilizado sobretudo por operacionais que também sofreram constrangimentos nas suas habitações. No terreno, a prioridade passou pela desobstrução de estradas e reposição de acessos, sobretudo em Pernes e nas freguesias envolventes. De acordo com o comandante, muitas das árvores derrubadas ficaram emaranhadas nos cabos da E-REDES, o que dificultou e atrasou a intervenção no terreno. Apesar das dificuldades, o quartel manteve-se sempre operacional graças à autonomia garantida por gerador. Fora do concelho, os Bombeiros de Pernes integraram ainda equipas de desobstrução de vias no concelho de Mação.
Comparando esta situação com episódios anteriores, Paulo Santos sublinha que, desta vez, os impactos foram mais localizados, mas atingiram sobretudo zonas urbanas, agravando os danos materiais. O comandante critica a falta de preparação de edifícios e instituições para ventos fortes e falhas prolongadas de energia. “Há lares, esquadras de polícia e juntas de freguesia que não têm gerador. Gastam-se cinco mil euros numa festa e depois não há dinheiro para garantir serviços básicos em situações de emergência”, aponta.
Na noite de 27 para 28 de Janeiro estiveram mobilizados 27 bombeiros, com outros voluntários de prevenção, num esforço operacional intenso e contínuo. Para os próximos dias, com previsão de nova precipitação e algum vento, o comandante antevê um aumento do risco de queda de árvores já fragilizadas e maior pressão sobre as populações mais isoladas. Nesse contexto, Paulo Santos deixa um apelo à responsabilidade individual e colectiva, defendendo a necessidade de uma cultura de autoprotecção. “Vamos ter cada vez mais episódios destes. Somos muito dependentes e temos de começar a preparar-nos melhor, nas escolas, nas instituições e em casa”, conclui.

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