Crashopolis: o jogo criado em Torres Novas que ensina finanças sem rede de segurança
Aprender economia a jogar, errar sem consequências reais e perceber como funcionam os mercados financeiros é a proposta do Crashopolis, um jogo educativo desenvolvido em Torres Novas que alia tabuleiro físico e plataforma digital para promover a literacia financeira junto dos mais jovens.
O FabLab de Torres Novas, localizado em Parceiros da Igreja, acolheu no dia 31 de Janeiro a apresentação do Crashopolis, um jogo de tabuleiro de literacia financeira criado por Fernando Abreu, fundador daquele espaço de inovação. O projecto aposta numa abordagem lúdica e prática para explicar conceitos económicos e financeiros, recorrendo à simulação de mercados e à tomada de decisões com impacto directo no desenrolar do jogo.
Durante a sessão, o criador explicou que o Crashopolis resulta da sua experiência acumulada ao longo de vários anos no sector financeiro. A lógica do jogo assenta na ideia de que cada decisão tem consequências, incluindo a possibilidade de perder, tal como acontece na vida real. “O objectivo não é ensinar a ganhar dinheiro, mas desenvolver espírito crítico e competências de gestão financeira”, sublinhou. O jogo permite compreender noções ligadas aos mercados financeiros e aos ciclos económicos através de uma combinação entre um tabuleiro físico, com regras, componentes e enquadramento pedagógico, e uma plataforma digital de apoio. Esta componente digital serve para registar valores, decisões e ciclos económicos, apoiar a condução das partidas e garantir continuidade entre sessões, sem substituir a interacção presencial entre os jogadores.
Pensado para até seis participantes, o Crashopolis inclui mecânicas como a compra de acções, a gestão de empréstimos, a leitura de indicadores económicos e a resposta a imprevistos. Apesar de recordar jogos clássicos como o Monopólio, procura aproximar-se o mais possível da realidade dos mercados financeiros. Em declarações a O MIRANTE, Fernando Abreu destacou o potencial do jogo para contextos educativos formais e informais, como escolas, acções de formação e workshops. O acesso é feito através de uma licença de utilização, que inclui a plataforma digital e suporte básico. Está prevista uma apresentação mais formal do projecto em Lisboa, dirigida a escolas e outras entidades interessadas.
O investimento no Crashopolis foi assegurado com recursos próprios, provenientes da actividade formativa do FabLab de Torres Novas, um espaço colaborativo dedicado à promoção do conhecimento tecnológico e à formação em áreas ligadas às tecnologias de informação.


