Sociedade | 19-02-2026 15:00
Quase 90% dos jovens usam IA: Ribatejo acompanha tendência nacional
Estudo nacional revela que a inteligência artificial já faz parte da rotina escolar e pessoal das crianças e adolescentes. Realidade estende-se ao distrito de Santarém, onde o desafio é transformar uso massivo em literacia digital.
A inteligência artificial deixou de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar ferramenta quotidiana. Quase nove em cada dez crianças e jovens portugueses, entre os 9 e os 17 anos, utilizam inteligência artificial generativa, segundo o estudo “Crianças e Jovens (9-17 anos) e Inteligência Artificial Generativa em Portugal”, desenvolvido no âmbito do projecto EU Kids Online e coordenado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Os dados, divulgados no Dia da Internet Segura, revelam que 85% dos inquiridos recorreram a estas ferramentas no último mês, um valor dez pontos percentuais acima da média europeia. O estudo baseou-se em respostas de 2.111 crianças e jovens e em entrevistas qualitativas a adolescentes utilizadores de IA.
A principal utilização é escolar: 48% recorrem à IA para resumir ou explicar textos e 47% para realizar trabalhos. Um quarto admite usar estas ferramentas para apoio emocional ou pessoal, também acima da média europeia. Embora o estudo tenha âmbito nacional, o retrato aplica-se à realidade do distrito de Santarém e da região do Ribatejo, onde as escolas integram a mesma rede pública e privada abrangida pelo inquérito. A massificação do acesso à internet e aos dispositivos móveis nos últimos anos acelerou a presença destas tecnologias no quotidiano dos alunos. O relatório identifica, contudo, desigualdades nas condições de acesso e na frequência de utilização, associadas ao contexto socioeconómico. A chamada “divisão digital” mantém-se como um dos desafios centrais, não apenas no acesso aos equipamentos, mas também na qualidade do uso e na capacidade crítica face às respostas geradas por sistemas automáticos.
Os jovens demonstram consciência dos riscos associados, como a desinformação, a manipulação de conteúdos ou a criação de “deepfakes”. Ao mesmo tempo, reconhecem o potencial criativo da inteligência artificial, nomeadamente na programação, na criação de jogos ou no desenvolvimento de projectos inovadores. O estudo sublinha a necessidade de reforçar a literacia digital e de integrar estas ferramentas de forma estruturada no ambiente escolar, defendendo um uso consciente, responsável e ético, com envolvimento das escolas, famílias e empresas tecnológicas.
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