Sociedade | 20-02-2026 11:03

Cental do Pego começa a cair: Tejo Energia avança com demolição da central a carvão em Março

Cental do Pego começa a cair: Tejo Energia avança com demolição da central a carvão em Março

Três anos de trabalhos vão apagar do mapa industrial de Abrantes as torres de 116 metros e a chaminé de 225 metros. Explosivos só no fim do processo.

A antiga central a carvão do Pego entra numa nova fase da sua história. A Tejo Energia anunciou que vai iniciar em Março o desmantelamento da infraestrutura, num processo que deverá prolongar-se por três anos e que marca o fim físico de um dos maiores símbolos industriais do concelho de Abrantes. Segundo a empresa, a intervenção pretende repor os terrenos “às suas condições de base”, garantindo a devolução do espaço em segurança e em conformidade ambiental. O ramal ferroviário e a ponte rodoferroviária não serão intervencionados. As emblemáticas torres de refrigeração, com 116 metros de altura, e a chaminé de 225 metros, referências visuais incontornáveis na paisagem do Médio Tejo, serão demolidas apenas na fase final, com recurso a explosivos de forma controlada. No pico da operação, estarão envolvidos cerca de 80 trabalhadores. A empresa antevê um impacto económico temporário positivo, sobretudo nos sectores do alojamento, restauração, comércio e serviços da região.

Tráfego reforçado e gestão de resíduos
A Tejo Energia admite um aumento temporário do tráfego rodoviário nas imediações do complexo industrial, devido à circulação de maquinaria pesada e transporte de materiais, garantindo a implementação de medidas de mitigação sempre que necessário. Quanto aos resíduos, a empresa promete seguir “as melhores práticas internacionais”, privilegiando a reutilização de equipamentos, a reciclagem de betão para nivelamento, a separação de metais e a minimização de materiais enviados para aterro. Questionada sobre o montante do investimento e o destino final do espaço, a empresa não adiantou valores, explicando apenas que o desmantelamento decorre da impossibilidade de concretizar o projecto de reconversão energética que tinha apresentado ao anterior Governo. Esse plano previa substituir o carvão por biomassa florestal residual, complementada por centrais solares e eólicas, além da possibilidade de funcionamento como compensador síncrono para estabilização da rede elétrica. A proposta foi rejeitada em favor do projecto apresentado pela Endesa.

Novo ciclo energético no Pego
Após o encerramento da central a carvão, em Novembro de 2021, a Endesa garantiu, em 2022, o direito de ligação à Rede Elétrica de Serviço Público para instalar 365 MWp de solar, 264 MW de eólica, armazenamento de 168,6 MW e um eletrolisador de 500 kW para produção de hidrogénio verde. O investimento previsto ronda os 600 milhões de euros, com a promessa de 75 postos de trabalho permanentes e reconversão profissional de cerca de 2.000 pessoas, com prioridade aos antigos trabalhadores da central. Já a central de ciclo combinado a gás natural do Pego, gerida pela Elecgas, mantém-se em funcionamento. A infraestrutura é detida em partes iguais pela Endesa e pela Engie, depois de esta ter adquirido a participação anteriormente pertencente à TrustEnergy/Marubeni.

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