Explicações da IP e APA sobre alargamento da linha de comboio em VFX não convencem comunidade
Sessão realizada na tarde de quinta-feira no pavilhão do Cevadeiro em Vila Franca de Xira foi palco para várias críticas dos moradores de Alhandra e Vila Franca de Xira. Primeiro à Agência Portuguesa do Ambiente, a promotora da sessão, pela forma como "apertou o cerco" à entrada das pessoas na sala. E depois à Infraestruturas de Portugal, com vários moradores a continuar a considerar que as explicações daquela empresa não convencem.
A Infraestruturas de Portugal (IP) foi novamente a Vila Franca de Xira tentar convencer a comunidade que o projecto de alargamento da Linha do Norte entre Alhandra e a Castanheira do Ribatejo vai reforçar a segurança e a mobilidade mas a maioria dos moradores presentes na sessão considerou o contrário: que as duas localidades vão ficar delapidadas, vão perder marcos identitários e que a sessão mais não foi do que "propaganda" e "palavras bonitas".
Um exemplo de que a comunidade vai sofrer com o projecto foi deixada por Jorge Zacarias, presidente da Sociedade Euterpe Alhandrense, que voltou a avisar que 200 atletas da associação vão ser despejados do espaço onde hoje treinam para que a linha de comboio possa passar e, até hoje, não há alternativas para a sua relocalização. "É uma questão que depois se terá de ver com a câmara", afirmou Cândida Osório, da IP. O corte radical que o jardim Constantino Palha vai sofrer, e a eliminação da passagem de nível que dá acesso ao cais, foram também questões criticadas pelos moradores.
A forma como a Agência Portuguesa do Ambiente conduziu a sessão também foi alvo de críticas dos moradores, que tiveram de se identificar à entrada. Os jornalistas foram impedidos de tirar fotos à plateia, apesar de se tratar de uma sessão pública, algo inédito nunca visto na região nas últimas décadas, e sem qualquer explicação do motivo por parte da APA. O presidente desse organismo, Pimenta Machado, não esteve presente. A APA, pela voz de Augusto Serrano, prometeu ter decisões sobre o projecto até Maio deste ano.
A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental teve início a 19 de Janeiro e termina a 27 de Fevereiro. Tal como O MIRANTE já tinha dado nota, as obras vão durar na melhor das hipóteses seis anos e 40 casas vão ser expropriadas, algumas delas actualmente habitadas. A modernização da Linha do Norte no troço entre Alverca e Castanheira do Ribatejo prevê a quadruplicação da via existente, a supressão de quatro passagens de nível e a construção de novas passagens desniveladas, no âmbito de um investimento enquadrado no Programa Nacional de Investimentos 2030.
Está também prevista a criação de uma nova estação em Alhandra, com espaço intermodal e estacionamento, e uma nova estação em Vila Franca de Xira, incluindo interface rodoferroviário, requalificação urbana e parques de estacionamento.
O plano inclui a reformulação da passagem superior rodoviária de Alhandra, a construção de uma nova passagem superior pedonal junto ao Jardim do Arroz e a manutenção das restantes estruturas existentes.
No que respeita a expropriações, o projeto abrange uma área total de 60,4 hectares, dos quais 19,7 hectares serão expropriados.
Cerca de 40,7 hectares (67,4%) situam-se em Domínio Público Ferroviário (DPF).
Segundo a informação apresentada, a fase de construção deverá prolongar-se por cerca de cinco anos e meio, sendo assegurada a manutenção de duas vias em exploração durante todas as fases da obra.
Os principais impactos negativos estão associados à fase de construção, nomeadamente circulação de maquinaria, demolições, movimentações de terras e alterações localizadas na paisagem e no uso do solo.
* Notícia desenvolvida na edição impressa de O MIRANTE


