Sociedade | 20-02-2026 10:00

Oposição diz que nem tudo correu bem na resposta à tempestade em Tomar

Oposição diz que nem tudo correu bem na resposta à tempestade em Tomar
A depressão Kristin deixou um rasto de destruição em Tomar e no centro do país - foto O MIRANTE

PS apontou falhas na coordenação inicial da Protecção Civil na resposta aos efeitos da tempestade Kristin e defendeu a criação imediata de gabinete de crise. Presidente da câmara rejeitou críticas e garantiu que a comissão reuniu no próprio dia, apesar das dificuldades de comunicação no terreno.

A resposta da Câmara de Tomar à tempestade Kristin esteve no centro do debate da última reunião do executivo municipal, com a oposição a considerar que houve aspectos que poderiam ter sido melhor coordenados nos primeiros dias após a calamidade. O vereador do PS e ex-presidente da câmara, Hugo Cristóvão, apontou falhas na articulação inicial da resposta municipal, admitindo que “eventualmente nem tudo correu assim tão bem, pelo menos naqueles primeiros dias”. O socialista referiu que poderá ter havido alguma inexperiência na gestão da situação, mas defendeu que, perante uma calamidade de grande escala, deveria ter existido desde logo uma maior coordenação entre serviços e entidades.
Hugo Cristóvão sublinhou que, na sua perspectiva, a Comissão Municipal de Protecção Civil deveria ter reunido imediatamente após a tempestade. “A primeira obrigação do presidente de câmara, que é o primeiro responsável pela Protecção Civil no seu território, é reunir a comissão quando algo acontece para fazer o ponto de situação e definir prioridades”, afirmou.
O vereador do PS considerou ainda que deveria ter sido criado, logo no próprio dia ou no seguinte, um gabinete de crise para apoiar o presidente na articulação operacional no terreno. O autarca da oposição deixou ainda um alerta para o futuro, defendendo um reforço do investimento na área da Protecção Civil, numa altura em que fenómenos extremos tendem a tornar-se mais frequentes.

Presidente da câmara rejeita críticas
O presidente da Câmara, Tiago Carrão (PSD), rejeitou as críticas, considerando-as desajustadas à dimensão da situação vivida. O edil afirmou que, no momento mais crítico, as comunicações estavam comprometidas, o que obrigou a equipa municipal a deslocar-se para o terreno à procura dos presidentes de junta. “Não era realista estar a chamar quem andava de motosserra na mão para uma reunião”, afirmou. Tiago Carrão garantiu que a Comissão Municipal de Protecção Civil reuniu no próprio dia da tempestade, ainda que num formato mais restrito, precisamente devido às dificuldades de contacto. Acrescentou que a estrutura já reuniu três vezes desde então.
Quanto à proposta de criação de um gabinete de crise, o presidente esclareceu que o município activou desde o primeiro dia o centro de operações, estrutura que funcionou como gabinete de coordenação, com especial atenção às situações de habitações afectadas. O autarca social-democrata acusou ainda o PS de confundir as competências da Protecção Civil com as dos bombeiros. Afirmou, por fim, que, a seu tempo, será feito um balanço detalhado dos procedimentos adoptados, reconhecendo que “há sempre espaço para melhorar”, mas rejeitando a ideia de falhas estruturais na resposta.

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