Sem-abrigo a pernoitar debaixo de ponte em Tomar causou preocupação
Subida do caudal do rio Nabão, agravada pelo mau tempo, colocou em risco um homem em situação de sem-abrigo que vivia numa tenda debaixo da ponte pedonal do Flecheiro. Um munícipe alertou para o perigo e o caso deu que falar na cidade.
Um homem esteve a pernoitar, durante algumas semanas, numa tenda instalada debaixo da ponte pedonal do Flecheiro, em Tomar, o que motivou preocupação entre alguns munícipes, não só pela questão social mas também pelo risco associado à subida das águas do rio Nabão. Um cidadão contactou O MIRANTE a dar conta da situação. O homem em situação de sem-abrigo, identificado como Vasco, terá 41 anos. De acordo com o relato do munícipe, trata-se de uma pessoa com um passado de toxicodependência que terá optado por permanecer naquele local. “Tem um trato afável”, refere o cidadão, acrescentando que, desde que teve conhecimento da situação, ele e a esposa passaram a ajudá-lo de forma discreta, levando-lhe comida durante a noite.
Perante o agravamento das condições meteorológicas e a subida acentuada do rio Nabão, o cidadão decidiu insistir no alerta, na esperança de que a situação levasse as autoridades a intervir, retirando o homem do local. Na tarde de 11 de Fevereiro, a esposa do munícipe deslocou-se ao local para entregar comida, mas não encontrou Vasco. Alarmada com a subida das águas, contactou os Bombeiros do Município de Tomar. Cerca de meia hora depois, foram avistadas luzes azuis na zona do Flecheiro, embora, segundo o munícipe, as viaturas não se tenham dirigido directamente ao ponto exacto onde a tenda estava instalada, permanecendo noutra área do parque durante cerca de uma hora.
Na noite de 11 de Fevereiro, marcada por chuva intensa e mau tempo, o repórter de O MIRANTE deslocou-se ao local. No terreno, encontrou a tenda, mantas e alguns bens materiais a serem progressivamente alagados pela subida do caudal do Nabão. Durante a permanência no local, surgiram também duas trabalhadoras de um restaurante das proximidades, que se deslocaram com o objectivo de entregar comida ao homem. Em conjunto, o repórter e as duas mulheres abriram a tenda para verificar se alguém se encontrava no seu interior. A tenda estava vazia.
Na manhã de 12 de Fevereiro, a tenda já não se encontrava no local, possivelmente levada pelas águas. No entanto, eram ainda visíveis uma palete de madeira e vestígios de roupas espalhadas, sugerindo que a subida do rio teria alcançado o local. “Se alguém foi lá remover a tenda, ao menos que tivesse feito o trabalho completo, para não deixar dúvidas sobre o que realmente aconteceu”, refere o munícipe a O MIRANTE, que afirma dar por encerrado o assunto.
Foram feitas várias tentativas de contacto com o Departamento de Acção Social da Câmara de Tomar, mas até ao fecho desta edição não foi possível obter qualquer esclarecimento adicional.


