Dez anos depois, pazes feitas: Bombeiros de Constância afastam fantasma da insolvência
Ao fim de uma década marcada por penhoras, dívidas e risco real de colapso financeiro, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Constância fechou finalmente um acordo com a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo.
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Constância anunciou na sexta-feira, 20 de Fevereiro, o entendimento alcançado com a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, pondo fim a um diferendo que se arrastava desde 2014. “Para nós, entre as duas entidades, está resolvido. Foi um processo que durou 10 anos e que custou muitos milhares de euros”, afirmou à Lusa o presidente da direcção, Adelino Gomes.
O conflito teve origem em alegadas dívidas relacionadas com transporte de doentes, no tempo do antigo Centro Hospitalar do Médio Tejo. Ao longo dos anos, as reivindicações chegaram a rondar um milhão de euros e a ULS chegou a interpor uma acção judicial reclamando dois milhões por alegados incumprimentos do consórcio. O impacto foi devastador: três presidentes da direcção, incluindo o actual, viram bens pessoais penhorados. Em 2024, novas penhoras ameaçaram a continuidade operacional da corporação. Houve ambulâncias paradas por falta de combustível, atrasos salariais e uma tesouraria permanentemente sob pressão. Apesar disso, o socorro nunca parou.
O acordo agora fechado, com cedências de ambas as partes, permitiu regularizar pagamentos, incluindo valores retidos em caução, e eliminar encargos mensais que sufocavam a associação. Parte dos pagamentos foi efectuada directamente à Caixa Geral de Depósitos, permitindo retirar a corporação da chamada “lista negra” bancária. Agora a realidade é outra: risco de insolvência afastado, fornecedores regularizados e capacidade para retomar investimentos e normalizar a operação diária, garantindo o transporte de doentes e o socorro à população. “Hoje conseguimos levantar um peso enorme das nossas costas, limpar o nome da associação junto do banco e assegurar a continuidade da nossa missão”, sublinhou Adelino Gomes, falando num “novo ciclo centenário” para a corporação.
“Momento histórico para a região”
Contactado pela Lusa, o presidente do conselho de administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, classificou o entendimento como “um momento histórico para a região”, resultado de “diálogo persistente e responsabilidade”. O acordo reforça, acrescentou, a articulação institucional entre a ULS e os bombeiros, parceiros estratégicos na prestação de cuidados e transporte de doentes. Depois de 10 anos de desgaste financeiro e institucional, os Bombeiros de Constância saem de um dos períodos mais difíceis da sua história recente. Mantiveram-se operacionais quando tudo parecia ruir. Agora, com as contas em ordem, querem apenas fazer aquilo que sempre fizeram: acudir quem precisa.


