Sociedade | 23-02-2026 10:00

Alcochete aceita travão urbanístico para proteger futuro Aeroporto Luís de Camões

Alcochete aceita travão urbanístico para proteger futuro Aeroporto Luís de Camões

Autarquia considera que as limitações agora publicadas em Diário da República reforçam a organização do território e a segurança ambiental numa fase decisiva do processo.

O presidente da Câmara de Alcochete afirmou estar “confortável” com as medidas preventivas aprovadas pelo Governo para a área destinada à construção do futuro Aeroporto Luís de Camões, defendendo que as restrições permitem salvaguardar a execução do projecto e evitar custos acrescidos.
“Estamos confortáveis, entendemos que estas medidas são importantes para garantir organização ao nível das novas construções, controlo da urbanização, protecção ambiental e avaliação de impacto sobre as populações. Nós próprios já fomos muito restritivos tendo em consideração a futura cidade aeroportuária nas proximidades do concelho”, disse à Lusa o autarca Fernando Pinto (PS).
A resolução, aprovada em Conselho de Ministros no final do ano passado e ontem publicada em Diário da República, aplica-se ao Campo de Tiro da Força Aérea, situado na freguesia de Samora Correia, no concelho de Benavente, e zonas envolventes, onde será implantada a nova infra-estrutura aeroportuária. O diploma estabelece limitações a operações como loteamentos, obras de urbanização, construção, ampliação ou alteração de edifícios, bem como trabalhos de remodelação de terrenos.
Segundo o documento, as medidas “visam evitar a alteração de circunstâncias e condições existentes que possam comprometer ou tornar mais onerosa a execução” do aeroporto e das infra-estruturas conexas. Noutras áreas delimitadas, determinadas operações urbanísticas passam a depender de parecer vinculativo da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), que deverá avaliar eventuais impactos na futura construção e funcionamento da infra-estrutura.
Fernando Pinto sublinhou que as restrições não deverão afectar o trabalho desenvolvido pela autarquia, garantindo que o município tem actuado com prudência no ordenamento do território. Para o presidente da câmara, a entrada em vigor destas medidas demonstra ainda que o projecto “não está esquecido” e que “tem pernas para andar”.
Ficam excluídas das limitações as intervenções promovidas pelo Estado, pela ANA — Aeroportos de Portugal, pela ANAC, pela NAV Portugal ou por entidades do Ministério da Defesa Nacional, nos termos previstos na resolução.
As medidas vigoram por dois anos, podendo ser prorrogadas, e o diploma admite a possibilidade de indemnização quando estejam em causa direitos já constituídos. O novo aeroporto, aprovado pelo Governo em 2024, deverá substituir integralmente o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

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