Autarcas unem-se para exigir resposta urgente para milhares sem energia e empresas afectadas
Semanas depois da tempestade Kristin ter fustigado o Médio Tejo, milhares de pessoas continuam sem energia eléctrica e centenas de empresas enfrentam prejuízos graves, numa região onde os autarcas falam em resposta insuficiente e exigem reforço urgente de meios no terreno.
Os presidentes de câmara de Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar, acompanhados por Manuel Jorge Valamatos, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, alertaram na terça-feira, 10 de Fevereiro, para a dimensão do problema que persiste semanas após o temporal. Segundo Manuel Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, a região continua a viver uma situação de grande fragilidade, com milhares de habitações e centenas de empresas ainda sem electricidade, defendendo uma acção mais robusta e coordenada nos próximos dias.
Em Ourém, o presidente Luís Albuquerque revelou que cerca de 3.600 habitações, o que corresponde a mais de sete mil pessoas, permanecem sem luz. Há postos de transformação inoperacionais, falhas na rede de baixa tensão e fortes constrangimentos nas comunicações, com a rede fixa a funcionar a menos de metade da capacidade. O concelho registou ainda danos em cerca de 10 mil habitações e 79 empresas do Parque Empresarial sofreram prejuízos, alguns de grande dimensão.
Em Ferreira do Zêzere, o cenário não é menos preocupante. O presidente Bruno Gomes indicou que cerca de 2.500 habitantes, aproximadamente 35% da população, continuam sem energia eléctrica, enquanto a rede de comunicações permanece praticamente inoperacional. O autarca alertou para o risco de encerramento de micro e pequenas empresas e pediu reforço imediato de equipas técnicas e maior capacidade organizativa.
Já em Tomar, a vereadora Sandra Cardoso adiantou que ainda há cerca de mil pessoas sem electricidade. O município definiu como prioridades o restabelecimento de infraestruturas, o apoio à reconstrução de habitações, a resposta às juntas de freguesia e o reforço da assistência social, sublinhando que os apoios do Governo ainda não chegaram com a dimensão necessária.
O impacto social é significativo: em Ourém há dezenas de pessoas realojadas e centenas recorreram a familiares ou soluções temporárias, enquanto em Ferreira do Zêzere se registam quase três dezenas de deslocados, incluindo desalojados. Os autarcas insistem que, além da reposição urgente da luz e das telecomunicações, é necessário garantir apoio psicológico às populações afectadas. Duas semanas depois da tempestade, o Médio Tejo continua à espera de uma resposta à altura da dimensão dos danos.
Presidente da AIP compara Médio Tejo a Leiria e exige respostas
A destruição nas zonas industriais do Médio Tejo é “semelhante à da Marinha Grande e de Leiria”, mas com muito menos visibilidade e rapidez na resposta, alertou o presidente da Associação Industrial Portuguesa, José Eduardo Carvalho.
Semanas depois da tempestade Kristin, o tecido empresarial do Médio Tejo continua a contar prejuízos e a esperar por apoios que tardam em chegar. Os empresários garantem que a dimensão da destruição nas zonas industriais de Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar é semelhante à registada na Marinha Grande e em Leiria, mas com muito menos visibilidade e resposta no terreno. Em conferência de imprensa na sede da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, em Tomar, o presidente da Associação Industrial Portuguesa, José Eduardo Carvalho, foi directo: “Quem anda no terreno verifica que o grau de destruição das empresas nestes concelhos é semelhante ao que se passa na Marinha Grande e em Leiria”.
A realidade é dura: cerca de 7.000 pessoas continuam sem energia em Ourém, 2.500 em Ferreira do Zêzere e mil em Tomar. Centenas de empresas mantêm portas fechadas ou a laborar a meio gás, enquanto os apoios anunciados pelo Governo continuam por desbloquear. Apesar de reconhecer medidas “positivas”, o dirigente da AIP considera-as insuficientes e exige reforço imediato: apoios a fundo perdido para além da agricultura e floresta, extensão do apoio de 10 mil euros a outros sectores, moratórias fiscais de pelo menos seis meses, simplificação do lay-off, aceleração das linhas de crédito e rapidez na reconstrução. “Até agora, aquilo que foi apresentado e publicado é tudo o que existe”, afirmou, revelando que uma nova reunião com a Unidade de Missão, o IAPMEI e o Banco de Fomento deverá clarificar e operacionalizar medidas.


