Sociedade | 23-02-2026 15:00
Batelão abandonado no Douro vai ganhar nova vida no Tejo zona da Póvoa de Santa Iria
Em estado avançado de degradação há quase uma década, “Plutão” vai finalmente deixar o Douro. A EPA – Sociedade de Extração de Agregados garante que o batelão será recuperado na Primavera e seguirá para trabalhar no rio Tejo.
Um antigo barco de extração de areia no rio Douro, abandonado há cerca de nove anos entre Magrelos (Marco de Canaveses) e Espadanedo (Cinfães), vai ser recuperado e transferido para o rio Tejo na próxima Primavera. A confirmação foi feita à Lusa por David Gomes, director de operações da EPA – Sociedade de Extração de Agregados, empresa que adquiriu a embarcação. O caso ganhou nova visibilidade após a denúncia do cidadão neerlandês Jaap Super, que alertou para o estado avançado de corrosão do batelão “Plutão”, parcialmente afundado e com maquinaria pesada a bordo. O consultor imobiliário considerou que a situação representa “um sério risco ambiental”, além de um potencial perigo para a navegação e um dano para a imagem turística do Douro.
O antigo proprietário, Filipe Silva, confirmou que a embarcação, pertencente à empresa Fafstone, operou na extração de areia até 2009 ou 2010, actividade que perdeu expressão após a queda da ponte Hintze Ribeiro, em 2001. O barco foi vendido há cerca de nove anos à EPA, que, segundo o anterior dono, realizou preparações técnicas necessárias à certificação, mas acabou por não o remover. A EPA explica que o objectivo é colocar o batelão a operar no Tejo, na zona da Póvoa de Santa Iria. David Gomes aponta entraves burocráticos colocados pela Capitania do Douro logo no segundo ano após a compra, que inviabilizaram a viagem por mar no período inicialmente previsto. Seguiram-se novas intervenções em doca seca e tentativas falhadas de reboque, condicionadas pelo estado do mar e por questões de segurança.
Nos últimos dois anos, a empresa procurou rebocar a embarcação para o estaleiro da Inersel, na margem oposta do rio, mas sem condições para o fazer em segurança. A decisão passou por aguardar a primavera para concluir a intervenção final antes da viagem, prevista para o Verão. Segundo o responsável, o “Plutão” já possui certificado de navegabilidade. Entretanto, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) confirmou que a embarcação se encontra fora do canal de navegação e não interfere com o tráfego fluvial. Ainda assim, em articulação com a Capitania do Douro, foram feitas diligências para a sua remoção.
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