Sociedade | 24-02-2026 07:00

Partos no Hospital Vila Franca de Xira caíram para metade no último ano

Partos no Hospital Vila Franca de Xira caíram para metade no último ano
Encerramento frequente dos serviços de ginecologia e obstetrícia do Hospital Vila Franca de Xira levou muitas parturientes a serem encaminhadas pelos bombeiros para outros hospitais - foto arquivo O MIRANTE

Os meses de Julho, Agosto e Setembro foram aqueles em que se registaram menos nascimentos na maternidade de Vila Franca de Xira e há quem tema que o serviço possa estar em risco no futuro com o plano do Governo de criar centros de elevado desempenho obstétrico. Encerramento de serviços por falta de pessoal ajuda a explicar os números.

Os partos na maternidade do Hospital Vila Franca de Xira caíram para metade no último ano, o último em que Carlos Andrade Costa esteve na liderança do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo, e a situação deixa vários profissionais de saúde e utentes a temer pelo futuro da maternidade na cidade. Isto numa altura em que o Governo já anunciou que vai avançar com a fase experimental dos centros de elevado desempenho em obstetrícia e ginecologia.
Segundo dados avançados pela ULS Estuário do Tejo, entidade responsável pela gestão do hospital, no último ano foram registados 828 partos na maternidade de VFX, enquanto que no ano anterior, 2024, tinham sido registados 1.593, quase o dobro. No último ano o mês com maior número de nascimentos foi Janeiro, com 117, seguido de Março com 115 e Fevereiro com 105. Os números começaram a cair em Maio, em que foram registados 86 partos, continuando a descer: 64 em Julho, 29 em Agosto, 22 em Setembro, 30 em Outubro, 29 em Novembro e 42 em Dezembro. Em comparação, não houve um único mês em 2024 em que a maternidade não tivesse mais de uma centena de partos.
O ano de 2025, confirmam estes números, foi muito complicado nos serviços de obstetrícia e ginecologia do hospital. O dia a dia da ginecologia foi pautado por uma crescente falta de profissionais, saída de médicos para outras unidades da região e o aumento dos períodos em que as urgências de obstetrícia e ginecologia tiveram de estar encerradas. Em alguns dias havia profissionais escalados para fazer o serviço mas acabavam por ser informados que não valia a pena comparecerem porque os médicos estavam em falta.
A nova administração da ULS, liderada por Nuno Cardoso, já veio garantir que está a desenvolver esforços e iniciativas para reforçar o quadro de profissionais do hospital, clínicos e de enfermagem, para poder garantir aos utentes os mais adequados cuidados de saúde. É um reforço que, estima a ULSET, deverá acontecer em breve.

Novo modelo concentra maternidades
O governo, entretanto, já veio dizer que espera criar nos próximos meses novos centros de elevado desempenho em obstetrícia e ginecologia, que a ministra da Saúde considera “estratégicos e prioritários” para fazer face aos problemas sentidos nas maternidades nacionais. O plano, recorde-se, vai avançar de forma experimental nos primeiros meses deste ano, começando pela península de Setúbal em torno do Hospital Garcia de Orta de Almada.
Se o modelo funcionar, promete vir a centralizar as maternidades da região num único hospital. Estes centros prometem funcionar com um modelo semelhante aos actuais centros de responsabilidade integrados (CRI) mas adaptados às necessidades da obstetrícia. O objectivo, diz o Governo, é reforçar a qualidade dos cuidados prestados aos utentes e melhorar a fixação de profissionais.

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