Sociedade | 25-02-2026 21:00

Biblioteca Municipal de Santarém ameaçada pelas infiltrações

Biblioteca Municipal de Santarém ameaçada pelas infiltrações
FOTO DR

Edifício apalaçado doado pelo estadista oitocentista Anselmo Braamcamp Freire tem graves problemas na cobertura, que obrigaram a desmontar obras de arte aí expostas.

O edifício apalaçado onde está instalada a Biblioteca Municipal Braamcamp Freire, em Santarém, vive um momento delicado devido às infiltrações na cobertura, que se agravaram durante as últimas intempéries, obrigando mesmo à desmontagem e encerramento da exposição de obras de arte. O alerta foi deixado na última reunião do executivo municipal pelo vereador Nuno Domingos (PS), que no anterior mandato teve o pelouro da Cultura e do Património e que reconheceu que o problema já não é de agora, mas acentuou-se com as intempéries das últimas semanas.
Nuno Domingos referiu que o acervo da Biblioteca Municipal e da Casa Museu “é de longe o maior tesouro que Santarém possui”, entre obras de arte e livros antigos - com publicações “desde os tempos de Gutenberg” -, no que classificou como um recheio fabuloso que vale milhões. O vereador deixou a sua “preocupação e solidariedade” face ao problema, que está a ser acompanhado pelos serviços municipais.

Também da bancada socialista, o vereador Pedro Ribeiro disse tratar-se de “uma questão de emergência”, e vincou que estava “a pesar as palavras”, referindo que no edifício – que “está num estado que mete dó” - estão quadros que valem milhões de euros. Também a Loja do Cidadão está afectada por infiltrações, como mencionaram os vereadores do PS e como O MIRANTE também já tinha dado conta em anterior edição.

Face às preocupações levantadas, o presidente do município referiu que as preocupações não são de agora e que os problemas estão identificados há algum tempo. Deu nota que na Biblioteca Municipal e Casa Museu Braamcamp Freire houve obras no final do anterior mandato para mudança de janelas e caixilharias, tendo também já sido lançado o procedimento para obras na cobertura do edifício. Intervenção que agora terá de ser alargada, devido aos danos que entretanto se agravaram. “É um problema que se agudizou a que vamos dar resposta, para preservação daquele que é um dos nossos maiores tesouros”, disse João Leite (PSD), acrescentando que também vão intervir para acabar com as infiltrações na Loja do Cidadão.

Um tesouro deixado a Santarém

A Biblioteca Municipal de Santarém e a Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire encontram-se instalados num característico palacete ribatejano, reconstruído nos meados do séc. XIX, sendo alvo, ao longo dos anos, de recuperações e remodelações, com o intuito de adaptar o imóvel às novas realidades sócio-culturais. No segundo piso situa-se o núcleo museológico composto por pintura, escultura, mobiliário, arte decorativa em louça e faiança, vidro, marfim, mármore e metais, bem como importantes exemplares de gravura. A esta colecção foram acrescentados, entre outros, os acervos artísticos da Biblioteca Camões e a pinacoteca da jornalista Manuela de Azevedo.
Escritor, historiador, arqueólogo e genealogista, e um dos fundadores do Arquivo Histórico Português, Anselmo Braamcamp Freire (1849-1921) pertencia a uma família aristocrática. Foi um grande coleccionador de arte, tendo constituído uma notável pinacoteca, que legou à cidade de Santarém, assim como a sua biblioteca, com cerca de 10.000 volumes. Na actividade política, Anselmo Braamcamp Freire foi o primeiro presidente da Câmara Municipal de Loures (pelo Partido Progressista (Portugal)), de 1887 a 1889, e de novo entre 1893 e 1895, vereador (pelo Partido Republicano) da Câmara de Lisboa e presidente da Câmara de Lisboa de 1908 a 1913. Após a implantação da República, foi deputado às Câmaras Constituintes de 1911 e o primeiro presidente do Senado da República.

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