Moradores do Bom Sucesso preocupados com nova construção e praga de ratazanas
Moradores da Rua dos Cravos, em Alverca do Ribatejo, alertam para a perda de qualidade de vida com a construção de três novos prédios e para a entrada de ratazanas nas habitações, através da rede de esgotos. A Câmara de Vila Franca de Xira comprometeu-se a analisar as questões.
Os moradores da Rua dos Cravos, no Bom Sucesso, em Alverca do Ribatejo, estão preocupados com a perda de qualidade de vida na sequência da construção de mais 280 novos fogos na zona, distribuídos por três prédios com pelo menos seis andares, cuja construção foi aprovada pela Câmara de Vila Franca de Xira em 2025. O assunto foi levantado numa reunião de câmara de Vila Franca de Xira por uma das moradoras da rua, Sheila Barros, em representação de outros residentes na mesma rua, composta por moradias unifamiliares.
“Está prevista a construção de três novos prédios com 23 metros de altura que vão confinar com edifícios de quatro andares e avançar para o eixo da estrada. A nova volumetria vai alterar a escala da rua, com consequências no conforto térmico durante o inverno, corte de luz solar e redução severa da qualidade de vida dos residentes”, disse a moradora, acrescentando que se prevê ainda o aumento de problemas já existentes, como a falta de estacionamento.
A cidadã sublinha que, diariamente, os automóveis estacionam à porta das garagens das vivendas, e que a PSP é frequentemente chamada. Além disso, os autocarros da Carris Metropolitana passam na rua de 15 em 15 minutos, obrigando a desvios das viaturas dos moradores e, muitas vezes, a recuar para que os autocarros possam passar.
Sheila Barros questionou ainda a câmara sobre um terreno que alegadamente se encontra classificado como rústico, mas para onde a proprietária terá anunciado a intenção de construir um condomínio privado. “Que critérios do Plano Director Municipal sustentam a transição de volumetria entre os edifícios da rua? A câmara possui plano de impermeabilização da Rua dos Cravos, estudo de tráfego e estudo de sombras, além de pareceres técnicos?”, perguntou, querendo saber também se a autarquia está disponível para suspender o projecto, de modo a salvaguardar a qualidade de vida dos moradores.
Relativamente à situação concreta da Rua dos Cravos, o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, admitiu não ter, para já, uma resposta específica, mas garante que já solicitou informações aos serviços, comprometendo-se a prestar esclarecimentos adicionais posteriormente, assim como respostas às questões levantadas.
Ratos entram pela rede de esgotos
Já Vítor Marques, morador na mesma rua, denuncia um problema de saúde pública relacionado com a entrada de ratazanas na sua habitação através da rede de esgotos, situação que, segundo afirma, não está ligada a falta de higiene doméstica, mas sim a falhas na infraestrutura pública.
O morador relatou que os roedores destruíram canalizações, atravessaram a casa e instalaram-se nos tectos falsos. “Não sabia quantas ratazanas tinha dentro de casa”, afirmou, explicando que teve de suportar do próprio bolso uma desratização no valor de 700 euros. Para resolver o problema de forma definitiva, terá ainda de partir paredes e substituir canalizações, obras cujo custo poderá ascender aos 1.500 euros.
Vítor Marques questionou se a autarquia tem conhecimento de outros casos de entrada de ratazanas através da rede de esgotos na zona do Bom Sucesso; quando foi realizada a última desratização naquela área; se as intervenções são apenas reactivas; e qual a responsabilidade da autarquia quando a origem do problema se encontra na rede pública.
O presidente do município esclareceu que existe um plano de desratização em vigor e que algumas intervenções são realizadas na sequência das solicitações apresentadas pelos munícipes, em determinados períodos do ano e em ruas específicas. O autarca sublinhou que as intervenções municipais são feitas exclusivamente no espaço público, explicando que, quando existem habitações devolutas ou desocupadas, as pragas tendem a deslocar-se para o interior desses imóveis, multiplicando-se e atingindo casas habitadas.


