Sala cheia na Junta de Vale das Mós para apoiar desanexação de freguesia
Pressão popular enche reunião da junta e executivo acaba por apoiar a separação. População aplaude e promete não baixar os braços.
A reunião da Junta da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, realizada a 23 de Fevereiro, ficou marcada por uma mobilização sem precedentes. A sala encheu-se como nunca e a população impôs na ordem do dia aquilo que considera ser uma prioridade inadiável: a desagregação de Vale das Mós e a reposição da freguesia autónoma no concelho de Abrantes. Um dos presentes leu a moção aprovada na concentração de 20 de Fevereiro, iniciativa promovida pelo Grupo de Apoio à Criação da Freguesia, exigindo que o documento fosse anexado à acta. Seguiu-se uma discussão intensa, com críticas à demora do processo e à alegada falta de empenho político.
No final, o executivo da junta manifestou-se favorável à desanexação de Vale das Mós, com a abstenção do presidente que, ainda assim, não votou contra. A decisão foi recebida com uma salva de palmas, num momento que muitos classificaram como “histórico”.
Com cerca de 500 eleitores e entre 600 a 700 habitantes, Vale das Mós foi criada como freguesia autónoma a 4 de Outubro de 1985, por desanexação de São Facundo. Em 2013, no âmbito da reforma administrativa, foi integrada na união de freguesias. Em Abril de 2022, a assembleia de freguesia aprovou por unanimidade a desagregação. O processo seguiu para a Câmara e Assembleia Municipal de Abrantes, onde recolheu parecer favorável. No entanto, não deu entrada na Assembleia da República dentro do prazo do regime simplificado, ficando de fora da lista das freguesias que avançaram.
Na concentração de 20 de Fevereiro, Manuel Vitória, um dos dinamizadores do movimento, acusou responsáveis políticos de “manobras dilatórias” e rejeitou a hipótese de referendo defendida pelo presidente da união de freguesias. “Quando foi para agregar não foi preciso referendo e agora, para desagregar, é?”, questionou.
Durante a reunião foram ainda levantadas várias questões locais: falta de limpeza de ruas, caminhos rurais e ribeiras, problemas de inundações na aldeia e ausência de apoios a actividades desportivas. Queixas que, segundo os moradores, demonstram a necessidade de maior proximidade e autonomia na gestão.


