Sociedade | 26-02-2026 12:00

Administrador da ULS Lezíria foi à Câmara de Santarém prestar contas e queixar-se das críticas

Administrador da ULS Lezíria foi à Câmara de Santarém prestar contas e queixar-se das críticas
Pedro Marques e restantes elementos do conselho de administração da Lezíria do Tejo foram à reunião de câmara prestar contas aos autarcas - foto O MIRANTE

Pedro Marques, presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde Lezíria, puxou a brasa à sua sardinha, destacando o trabalho feito, nomeadamente no equilíbrio financeiro e no cumprimento dos objectivos contratualizados em diversas especialidades e serviços. A falta de profissionais de saúde, que leva ao encerramento frequente de urgências, e a necessidade de obras foram realidades impossíveis de contornar e que têm motivado críticas.

O presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Lezíria esteve na última reunião do executivo da Câmara de Santarém para descrever o trabalho feito em pouco mais de um ano de mandato e aproveitou para criticar quem expõe as fragilidades e falhas nas unidades tuteladas pela ULS Lezíria, nomeadamente no Hospital Distrital de Santarém (HDS). O gestor hospitalar Pedro Marques, que em tempos foi vereador do PSD em Abrantes, disse mesmo que as denúncias e críticas nas redes sociais e notícias na comunicação social, apontando problemas na resposta dos serviços de saúde, afectam a imagem da instituição e em nada contribuem para a solução nem para atrair novos profissionais para o Hospital de Santarém. E, com os olhos postos nos autarcas, apelou a um “discurso pela positiva” sobre o HDS, para o tornar mais atractivo e competitivo.
Pedro Marques realçou o esforço feito para reduzir as horas extra e o “trabalho muito significativo de recuperação da dívida que não estava lançada”, com a dívida actualmente a rondar os 44,9 milhões de euros, mais quase 3 milhões face a 2024. Uma realidade justificada com situações herdadas a que era preciso dar resposta e também com o aumento dos custos com pessoal, decorrente da lei, em 11 milhões de euros.
O administrador da ULS Lezíria destacou também as obras em curso de vários milhões de euros em várias frentes e os investimentos necessários para melhorar a resposta aos utentes. Entre os objectivos estão uma nova unidade de cirurgia de ambulatório, uma unidade de cuidados intensivos, uma unidade de esterilização, a requalificação de enfermarias e da cozinha – fechada pela ASAE por não ter condições –, bem como intervenções nos sistemas de energia eléctrica e de rede de água, entre outras obras. “Não importa quem vai cortar a fita, o importante é deixarmos melhor do que o encontrámos”, disse Pedro Marques.
Quanto à falta de profissionais de saúde, que tem causado problemas nas urgências de ginecologia e obstetrícia, ortopedia e, por vezes, cirurgia geral que têm levado ao encerramento frequente dessas respostas, Pedro Marques reconheceu as dificuldades em recrutar médicos, exemplificando que um concurso para contratar dois obstetras ficou deserto. Questionado sobre o impacto que o novo Hospital da Luz pode ter na deserção de recursos humanos do HDS, o gestor não se mostrou muito preocupado, dizendo que essa unidade privada já traz a equipa montada e não antevê que cause uma perda significativa de profissionais da ULS Lezíria.

Falta de anestesistas influencia número de partos

O Hospital Distrital de Santarém foi um dos poucos no país que teve menos partos em 2025 relativamente ao ano anterior, tal como O MIRANTE noticiou, não atingindo sequer o milhar de nascimentos, ficando pelos 993. Uma realidade que se explica pelo sucessivo encerramento desse serviço devido à falta de profissionais de saúde e que Pedro Marques afirma ser importante reverter. O administrador explicou que o problema deveu-se mais à falta de anestesistas para assegurar o funcionamento do serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia e não tanto à falta de médicos desta especialidade. Notou ainda que a ULS Lezíria trabalha em rede com as suas congéneres do Médio Tejo e do Oeste, garantindo que pelo menos uma das urgências de obstetrícia dessas três unidades está a funcionar.

Mais utentes sem médico de família em Santarém

Actualmente há 7.356 utentes sem médico de família no concelho de Santarém, número que cresceu apesar do número de médicos também ter aumentado nessa especialidade. Uma situação que também se verifica noutros concelhos da Lezíria, devido ao fluxo migratório registado nos últimos anos.
Pedro Marques diz que o número de utentes sem médico de família em Santarém já justiçaria a constituição de uma nova Unidade de Saúde Familiar (USF), faltando no entanto espaço para isso. O presidente da Câmara de Santarém, João Leite, garantiu estar atento a essa realidade e afirmou que está entre os seus objectivos a construção de um novo centro de saúde, preferencialmente no Campo Infante da Câmara. Mas, até lá, o autarca disse que vai ser disponibilizado um espaço provisório na antiga Escola Prática de Cavalaria para dar resposta ao crescimento do número de utentes.

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