Sociedade | 27-02-2026 12:00

A barbearia mais antiga de Tomar continua nas mãos da mesma família

A barbearia mais antiga de Tomar continua nas mãos da mesma família
António Oliveira Sousa e José Oliveira Sousa dão continuidade a várias gerações de barbeiros na sua família - foto O MIRANTE

Há mais de 60 anos a cortar cabelo e a aparar memórias, os irmãos Sousa mantêm viva uma tradição que começou no bisavô e resiste ao tempo no coração de Tomar.

Na cidade de Tomar há um espaço onde o tempo não se mede apenas em anos, mas em gerações. A Sousas Cabeleireiros, a barbearia mais antiga da cidade, está aberta há mais de seis décadas e, desde 1985, é gerida por dois irmãos que trazem a profissão no sangue: José Sousa, 71 anos, e António Sousa, 67.
Naturais das Curvaceiras, no concelho de Tomar, começaram cedo demais para que alguém lhes chamasse apenas aprendizes. Com apenas oito anos, já ajudavam o pai, também ele barbeiro, a cortar barbas e a atender clientes. Antes dele, já o avô e o bisavô tinham feito da tesoura e da navalha instrumentos de vida. “É uma vocação”, dizem, sem hesitar. José Sousa entrou oficialmente na profissão aos 18 anos, como empregado na barbearia que viria mais tarde a gerir. Em 1975 partiu para a Marinha Portuguesa para cumprir serviço militar e nem aí largou a arte: foi barbeiro também a bordo. Regressou em 1977 e, um ano depois, iniciou funções no Hotel dos Templários. António acompanhou-o. Trabalharam lado a lado até que, em 1985, lhes foi proposta a gerência da barbearia onde tinham começado uma década antes. Aceitaram o desafio e nunca mais saíram. Quarenta anos depois, continuam firmes. Garantem que para manter um negócio aberto durante décadas é preciso mais do que técnica: “É necessária muita calma, paciência e uma grande vocação”.

A cadeira onde se sentam três gerações
Se há algo que os orgulha é terem servido várias gerações da mesma família. Já aconteceu, contam, estarem a cortar o cabelo ao avô, ao filho e ao neto em simultâneo. A fidelidade constrói-se com qualidade, mas também com amizade e confiança. Mais do que um espaço comercial, a barbearia é um ponto de encontro, é um refúgio e um local de conversa onde se fala da vida, da cidade e do mundo. A relação entre barbeiro e cliente ganha, ali, contornos de cumplicidade. E a cidade é parte dessa história. José Sousa garante que não troca Tomar por nada. Reconhece que já teve maior dinamismo industrial e comercial, mas continua a ser uma terra acolhedora, culturalmente rica e profundamente sua.
Ao longo de quatro gerações, muita coisa mudou no sector. Dos tempos do bisavô às tendências modernas, a profissão foi-se transformando. “É um sector em constante mudança. Temos de aprender e evoluir com ele”, sublinham. A paixão, essa, mantém-se intacta. O pai exerceu até aos 88 anos e os irmãos Sousa ambicionam seguir-lhe os passos. Quem sabe, afirmam entre sorrisos, chegar ao século de vida sempre de tesoura na mão. Em Tomar, como em muitas localidades da região, há muitos negócios que fecham portas, mas outros que resistem, como o dos irmãos Sousa, que provam que tradição, trabalho e dedicação ainda são a melhor receita para sobreviver ao passar do tempo.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias