Sociedade | 27-02-2026 17:00

Emigrantes regressam a Casal dos Bernardos para reconstruir o que a tempestade levou

Emigrantes regressam a Casal dos Bernardos para reconstruir o que a tempestade levou

Na aldeia de Casal dos Bernardos, no concelho de Ourém, são os emigrantes que, aos poucos, vão regressando para recuperar o que o mau tempo levou.

Na aldeia de Casal dos Bernardos, no concelho de Ourém, são os emigrantes que, aos poucos, vão regressando para recuperar o que o mau tempo levou. Metade das casas da aldeia pertencem a famílias emigradas, sobretudo em França. Nas últimas semanas, muitos atravessaram centenas de quilómetros para avaliar prejuízos, limpar terrenos e tentar devolver alguma normalidade às habitações que servem de refúgio nas férias.
Foi o que fez Fernando Dias Bastos, 52 anos, nascido em Tours e funcionário público em Paris. Mal soube da violência da tempestade, fez-se à estrada. “Não tínhamos notícias certas sobre o estado da casa”, conta. O anexo da família ficou “partido a meio” e parte do telhado da casa principal, construída no final dos anos 60, não resistiu à força do vento. Agora, o trabalho faz-se devagar. “Vamos limpando o mato e arrumando o que ficou. Não sei como vai ser este Verão ou o próximo. Pode ser perigoso por causa dos fogos”, admite, preocupado com a vegetação caída e o risco acrescido nos meses quentes.
Ao seu lado, a mãe, Luísa Mendes de Bastos, 81 anos, também ela emigrante em França desde os anos 70, supervisiona uma pequena queimada no jardim. “Ando aqui a queimar uns restos de lixo. Depois vêm uns homens tirar o que resta do anexo e os barrotes partidos”, explica, num cenário onde ainda se acumulam loiça partida, tijolos soltos e velhos utensílios espalhados pelo chão. Na rua, os sinais da tempestade permanecem visíveis. Postes de cimento e ferro quebrados, cabos de média e baixa tensão tombados. A electricidade já foi restabelecida, mas as telecomunicações continuam instáveis, num retrato de fragilidade que inquieta quem aqui tem raízes.
Apesar da destruição, há espaço para reconstruir memórias. No jardim, Fernando ergue uma pequena casa de madeira para os filhos brincarem nas próximas férias de Verão. “Para não sentirem a tragédia”, diz. As paredes já estão montadas, falta pregar o telhado. Um gesto simples, mas carregado de simbolismo: reconstruir para que as crianças encontrem, na aldeia dos avós, um lugar de alegria. As telhas novas para a casa principal custaram um euro cada, duas semanas depois da tempestade. Comprou cinquenta. As velhas, do barracão destruído, serão oferecidas “a quem precisar”.
Em Casal dos Bernardos, a recuperação faz-se à força de braços. Entre França e Portugal, estes emigrantes continuam a provar que, mesmo à distância, a terra nunca deixa de ser casa.

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