Encarregados de educação criticam interrupção da equitação e horários do desporto escolar no Cartaxo
Aulas de equitação do agrupamento foram paradas devido a mudança de picadeiro, mas a direcção garante que a modalidade vai regressar em breve e rejeita ideia de desvalorização do desporto escolar.
Alguns encarregados de educação de alunos do Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita manifestaram preocupação com o funcionamento do desporto escolar neste ano lectivo, alegando que as actividades deixaram de ser “prioridade” e que vários alunos ficaram sem horário para participar. Em causa está a reorganização dos horários escolares, tradicionalmente com a tarde de quarta-feira reservada ao desporto, que, segundo os pais, deixou de existir para várias turmas.
As críticas intensificaram-se com a interrupção, a meio do ano lectivo, das aulas de equitação. Maria João Silva, avó de um aluno de 13 anos, conta que a suspensão foi comunicada de forma inesperada durante uma aula, gerando indignação entre as famílias. Após contactar a Câmara Municipal do Cartaxo, Maria João Silva foi informada de que a modalidade não seria cancelada, mas sim transferida para outro picadeiro. Ainda assim, lamenta o impacto da interrupção temporária nos alunos envolvidos. A avó sublinha que o neto, diagnosticado com autismo, beneficiava particularmente desta actividade, que ajudava na socialização e integração, sobretudo em contexto de competição. Na sua opinião, a alegada falta de verba para pagar a cedência do picadeiro não justifica por inteiro a paragem, considerando que a decisão não teve em conta o investimento feito pelas famílias em equipamento e transporte e que a equitação parece estar a perder espaço face a outras modalidades.
Contactado por O MIRANTE, o director do agrupamento, Jorge Tavares, rejeita que o desporto escolar esteja a ser desvalorizado ou que haja favorecimento de certas modalidades. O responsável afirma que essa visão é “injusta” para com o trabalho contínuo da escola no desporto escolar e explica que a verba destinada às actividades sofreu alterações e actualmente cobre apenas o transporte para competições, deixando de contemplar despesas com instalações, o que inviabilizou a continuidade imediata das aulas de equitação no picadeiro anterior. Segundo o director, a escola procurou de imediato uma solução em articulação com a autarquia, que passará a financiar a utilização de um novo espaço, que será o picadeiro da Quinta das Freiras, em Vila Chã de Ourique, já utilizado para sessões de hipnoterapia também financiadas pela câmara. “Ainda não se fez a mudança para lá e a retoma das aulas foi adiada devido à situação de cheias que tem afectado o concelho, mas em princípio, na última semana de Fevereiro, as aulas irão retomar”, adianta.
Quanto à ausência de tardes livres à quarta-feira para o desporto escolar, Jorge Tavares aponta o aumento do número de alunos e a falta de salas como factores determinantes para a reorganização dos horários, mantendo o agrupamento actualmente oito modalidades de desporto escolar, distribuídas por 12 equipas ou grupos. O director reforça que a modalidade da equitação continua a ser considerada importante no projecto educativo e garante que o objectivo é assegurar a continuidade de todas as actividades desportivas, conciliando limitações financeiras e logísticas com as necessidades dos alunos.


