Sociedade | 02-03-2026 18:00

Cuidar é a palavra de ordem na ACAS em Vila Chã de Ourique

Cuidar é a palavra de ordem na ACAS em Vila Chã de Ourique
ACAS de Vila Chã de Ourique faz a diferença pela positiva na vida quotidiana da comunidade - foto O MIRANTE

Da creche ao envelhecimento, há uma instituição em Vila Chã de Ourique que acompanha a vida inteira. A Associação Comunitária de Assistência Social (ACAS) é muito mais do que um conjunto de respostas sociais: é uma rede de proximidade onde o cuidado vem primeiro.

Com 29 funcionários distribuídos pelo Centro de Dia, Apoio Domiciliário, Creche e Centro de Actividades de Tempos Livres (CATL), a ACAS assume uma missão clara: melhorar a qualidade de vida da comunidade. Numa terra marcada pela agricultura e por reformas baixas, a instituição tornou-se pilar essencial para dezenas de famílias. Em funcionamento desde 1990, o Centro de Dia da ACAS é resposta directa ao envelhecimento acentuado das aldeias do concelho do Cartaxo. Aqui, ninguém é arrancado às suas raízes. “Não cortamos laços familiares”, sublinha Maria da Conceição, responsável pela instituição. Ao final da tarde todos regressam a casa. O objectivo é manter autonomia e proximidade à família pelo maior tempo possível.
A capacidade está esgotada. São 35 lugares, todos preenchidos, e uma lista de espera que cresce. Cada utente representa um custo médio mensal de 437 euros, comparticipado de forma proporcional ao rendimento. Num território onde há idosos a viver com pouco mais de 300 euros por mês, a justiça social impõe-se. “Uma pessoa que tem 300 e poucos euros de reforma não pode pagar o mesmo que uma que tem 600 ou 700”, defende a responsável. Além das refeições e cuidados de higiene, há transporte para actividades exteriores, acompanhamento a consultas e apoio permanente. A enfermagem diária deixou de ser possível por falta de profissionais, mas a solução foi encontrada: acompanhamento personalizado ao centro de saúde. “A funcionária vai e acompanha, a tempo inteiro, nas consultas e nos pensos”. Ao fim de semana e em períodos prolongados de feriados, as refeições continuam a ser garantidas ao domicílio, muitas vezes confeccionadas no próprio dia para assegurar qualidade e frescura.
Mas é nas actividades que a casa se distingue. Com animadora a tempo inteiro e ginástica semanal, há pinturas, jogos, trabalhos manuais, manicure e cabeleireiro. No Carnaval, os próprios utentes criaram os fatos com materiais reciclados. A chuva impediu o desfile na rua, mas não roubou o entusiasmo. No Verão as excursões e as idas à praia devolvem-lhes memórias e alegria.
Desde 1994, o serviço de Apoio Domiciliário acompanha actualmente 17 utentes em Vila Chã de Ourique e arredores. O objectivo é preservar a autonomia no próprio lar, assegurando alimentação, higiene e vigilância. A estabilidade da equipa é uma das marcas. Há utentes que necessitam de apoio uma a duas vezes por dia, incluindo troca de fraldas ou ajuda na alimentação. As visitas realizam-se de manhã e à tarde, com distribuição diária de refeições porta a porta. Os cuidadores são também sentinelas. Quedas, acidentes domésticos ou situações de risco são comunicadas de imediato à direcção técnica, que se desloca ao local. Faz parte da rotina. Além dos cuidados físicos, há atenção ao lado emocional: a animadora do Centro de Dia visita os utentes em casa, levando conversa, movimento e companhia.

Creche cheia e lista de espera a aumentar
A gratuitidade das creches veio aumentar a procura. A capacidade da ACAS é de 40 crianças e está completamente preenchida. A funcionar desde 1999/2000, a creche organiza-se em três salas: berçário (4 meses a 1 ano), sala dos 12 aos 24 meses e sala dos 24 aos 36 meses. Cada espaço tem educadora, auxiliar e projecto pedagógico próprio. O berçário acolhe apenas oito bebés. Com vagas escassas, muitas famílias inscrevem os filhos em várias instituições logo após o nascimento. O financiamento é assegurado integralmente pela Segurança Social, mas a falta de lugares mantém-se como um problema estrutural.
Criado também no ano lectivo 1999/2000, o CATL acolhe actualmente 30 crianças dos 6 aos 12 anos. Já foram 43, mas a implementação das Actividades de Enriquecimento Curricular reduziu a procura. Nas férias, o plano multiplica-se: visitas de estudo, almoços fora, idas à quinta vizinha, piqueniques e praia. Muitas vezes, crianças e idosos partilham as mesmas actividades. É nesse encontro de gerações que a missão da ACAS ganha forma. Da primeira papa ao apoio na velhice, a ACAS construiu uma resposta integrada que cobre todas as fases da vida.

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