Sociedade | 03-03-2026 10:00

Centenas de carros abandonados nas ruas da região ribatejana

Centenas de carros abandonados nas ruas da região ribatejana
foto arquivo

Há centenas de viaturas a ocupar espaço público, com Vila Franca de Xira a liderar os números e Torres Novas a conseguir inverter a tendência. Autarquias admitem processos morosos e dependentes da lei.

Os carros em estado de abandono continuam a multiplicar-se nas ruas do distrito de Santarém e na zona do Vale do Tejo, ocupando lugares de estacionamento, degradando o espaço urbano e obrigando os municípios a processos administrativos longos antes de qualquer remoção. A realidade varia de concelho para concelho, mas o problema é comum: libertar espaço público respeitando todos os trâmites legais.
Em Santarém, desde 2023 foram referenciadas cerca de 100 viaturas, das quais aproximadamente metade ocupam lugares de estacionamento público. Cerca de 80% das situações resultam de denúncias de munícipes. A fiscalização e remoção são competências da Polícia de Segurança Pública e, embora a autarquia não tenha números fechados relativos a 2025, confirmou a O MIRANTE um aumento de casos face ao ano anterior. Já em Torres Novas o cenário é mais animador. O município tem actualmente apenas sete viaturas sinalizadas em presumível abandono e nenhuma ocupa lugares de estacionamento. Desde 2021 foram registadas 53 participações. Em 2025 não houve qualquer reboque e verificou-se uma diminuição face a 2023 e 2024.
O processo, no entanto, é tudo menos imediato: visita ao local, registo fotográfico, identificação do proprietário, aviso prévio de 10 dias para remoção voluntária e, só depois, agendamento de reboque. Após a remoção, o proprietário dispõe de 45 dias para reclamar a viatura. Caso contrário, segue-se hasta pública. Em média, a remoção acontece duas a três semanas após o fim do primeiro prazo.
O contraste surge em Vila Franca de Xira, onde os números impressionam. No final de 2025 estavam em curso 619 processos relacionados com veículos em presumível estado de abandono ou fim de vida. Só nesse ano deram entrada 1.257 participações, provenientes de serviços municipais, juntas de freguesia, forças de segurança e cidadãos. Apesar da dimensão do problema, foram removidas 89 viaturas em 2025, número semelhante ao de anos anteriores. A fiscalização é assegurada pelos serviços municipais e o reboque por empresa contratada. Quando não é possível contactar o proprietário, o processo arrasta-se com publicação de editais e notificações formais. Se os veículos não forem reclamados, seguem para cancelamento de matrícula e abate.
No concelho de Azambuja, desde o início de 2026 há oito viaturas com processos em curso, cinco em lugares de estacionamento, uma na berma da estrada e duas em parques. Entre 2023 e 2025 foram rebocadas 11, 12 e 17 viaturas, respectivamente, registando-se um ligeiro aumento anual. Sem meios próprios de reboque, o município depende de empresa externa. O procedimento pode prolongar-se entre 45 e 60 dias, ou mais, sobretudo quando os proprietários retiram os avisos e deslocam os veículos para outros locais, obrigando a reiniciar todo o processo. Quando não há resposta dentro dos prazos legais, as viaturas seguem para abate através da Divisão do Ambiente.
Apesar das diferenças nos números, os municípios convergem na mesma mensagem: a colaboração da população é essencial para sinalizar situações de abandono. Enquanto a burocracia dita o ritmo, as autarquias garantem articulação com as autoridades para reduzir o impacto dos carros esquecidos que continuam a marcar presença nas ruas e parques do distrito.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias

    Edição Semanal