Visita ao EVOA é pretexto para alertas sobre aeroporto e ilhas submersas
Cerca de 50 participantes percorreram as lagoas do EVOA e ouviram alertas sobre aeroporto, ilhas submersas e risco sísmico na região do Vale do Tejo.
O Estuário do Tejo voltou a ser palco de descoberta e reflexão. Na manhã de 22 de Fevereiro, o grupo informal “Tejo a Pé” levou cerca de meia centena de participantes ao EVOA, em Vila Franca de Xira, para uma caminhada pelos trilhos onde a natureza e a ciência se cruzam. O percurso começou junto ao Centro Interpretativo e conduziu o grupo à Lagoa Principal e à Lagoa Rasa, com paragens estratégicas nos observatórios. Entre binóculos e máquinas fotográficas, observaram-se algumas das mais de 300 espécies de aves que utilizam o estuário como refúgio, 80 das quais aquáticas. A visita foi acompanhada por vários guias, entre eles Vítor Encarnação, voluntário há cerca de três anos, antigo técnico do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que destacou a procura constante do espaço por escolas e visitantes individuais.
Mas a manhã foi também de avisos claros. O geólogo e professor da Universidade de Évora, Carlos Cupeto, conhecedor do projecto desde a fase de licenciamento, sublinhou a importância científica e estratégica do estuário. Recordou que a própria localização de Lisboa está ligada a este abrigo natural, que ao longo dos séculos ofereceu condições únicas à fixação humana. Sobre temas sensíveis, deixou posições firmes. Quanto à eventual construção do aeroporto no concelho de Benavente, foi taxativo: “É uma zona crítica para construir um aeroporto.” Relativamente à submersão do Mouchão da Póvoa, falou em “desleixo do Estado”, alertando que a falta de prevenção agrava custos e danos.
Defensor de que agricultura e conservação podem coexistir, apontou a Companhia das Lezírias como exemplo de equilíbrio possível. A encerrar, a visita à exposição do Centro Interpretativo permitiu consolidar conhecimentos. Ficou a certeza de que o Estuário do Tejo é muito mais do que paisagem: é memória, ciência e futuro, desde que haja vontade de o proteger.
O estuário visto ao detalhe
Os cerca de 50 participantes, entre crianças e adultos, dividiram-se em três grupos para uma visita ao observatório. Antes do início do percurso, houve lugar a um enquadramento sobre o EVOA, a importância das zonas húmidas e o carácter único do estuário. Vítor Encarnação, um dos guias, sublinhou tratar-se da zona húmida mais importante do país, sobretudo para as aves aquáticas migradoras que chegam do norte da Europa e do Ártico, onde se reproduzem, seguindo depois para África. Recordou ainda que as áreas mais relevantes do estuário são, muitas vezes, as menos acessíveis ao público, o que reforça a necessidade de preservação.
A caminhada, com cerca de quatro quilómetros, incluiu paragens em dois dos três observatórios existentes, com vista privilegiada para a Lagoa Principal e a Lagoa Rasa. Ao longo do trajecto, multiplicaram-se perguntas sobre biodiversidade e ecossistemas, enquanto outros participantes tentavam captar, com máquinas fotográficas, as melhores imagens das aves. Foi possível observar espécies como o pato-real e a garça-branca-grande, embora muitas aves permanecessem dispersas devido às recentes intempéries. No EVOA estão identificadas mais de 300 espécies, 80 das quais aquáticas, pertencentes a grupos como Anseriformes, Ardeidae, Accipitriformes e Passeriformes, que utilizam o estuário para alimentação e descanso.


