Autarcas, médicos e utentes pressionam Governo para não extinguir urgências em VFX
Futuro das urgências de ginecologia e de obstetrícia do Hospital Vila Franca de Xira é decidido este mês. Caso venham a fechar esses serviços, os utentes e autarcas falam numa decisão inaceitável e insensível. Futuro do serviço é decidido este mês.
Este mês fica decidido o destino a dar às urgências de ginecologia e obstetrícia do Hospital Vila Franca de Xira (HVFX), que têm o seu futuro incerto com a nova reorganização dos serviços que está a ser estudada pelo Ministério da Saúde. Na última semana circulou entre os profissionais de saúde a quase certeza de que o serviço de VFX irá fechar portas para ser concentrado em Loures, no Hospital Beatriz Ângelo, situação que obrigará os enfermeiros especialistas de Vila Franca de Xira a terem de passar a trabalhar nas urgências obstétricas de Loures.
No entanto, Ana Paula Martins, ministra da Saúde, ouvida no Parlamento na última semana, não foi clara no cenário que está a ser desenhado para VFX, tendo dito que as primeiras urgências regionais em obstetrícia funcionariam num primeiro momento na Península de Setúbal, centralizadas no Hospital Garcia de Orta, e depois então na Unidade Local de Saúde (ULS) de Vila Franca de Xira e na ULS do Beatriz Ângelo em Loures.
Quem não quis esperar para saber se os rumores do encerramento das urgências obstétricas de VFX são ou não verdade foram os autarcas dos cinco concelhos servidos pelo hospital. Fernando Paulo Ferreira, presidente de Vila Franca de Xira, reage ao cenário do possível encerramento acusando a medida do Governo de ser “inaceitável, insensível e radicalmente oposta” aos interesses das populações. “Se esta decisão se verificar, o Ministério da Saúde deixa sem recurso 250 mil pessoas, entre as quais as mais frágeis e que merecem especial atenção”, afirmou. Em reunião de câmara, na tarde de 2 de Março, Fernando Paulo Ferreira lembrou que a ministra tem feito orelhas moucas aos pedidos de reunião dos autarcas servidos pelo hospital e considerou que enfraquecer os serviços daquela unidade é uma decisão errada. “Chegou a hora de nos unirmos, trazer as vozes das pessoas à grande arena da opinião pública e da casa da democracia para evitar este assassinato de um hospital que tem todas as condições para ter mais serviços e melhores condições de resposta às necessidades das pessoas. A hora é grave e exige união”, apelou.
A situação também já mereceu críticas do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) do Estuário do Tejo, que considerou que o encerramento deixa as populações dos cinco concelhos sem um serviço valioso. “Não tendo havido problemas conhecidos com as escalas deste serviço no HVFX, tal como no ano passado, esta deve ser uma medida tomada centralmente para corrigir défices no Hospital Beatriz Ângelo e não nesta unidade do Estuário do Tejo”, criticam os utentes.
Também a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) já veio considerar que a criação de serviços de urgência regionais de ginecologia e obstetrícia para a Península de Setúbal, Loures e Vila Franca de Xira representa “um retrocesso inaceitável no acesso a cuidados de saúde” para milhares de utentes. Trata-se, na verdade, do encerramento de serviços por falta de médicos especialistas, diz, que têm sido empurrados para fora do Serviço Nacional de Saúde por sucessivos governos. “Esta medida, apresentada como inevitável, significa que o Ministério da Saúde desistiu do SNS como garante da segurança e da saúde das grávidas e crianças em vastas zonas do país, em particular na região de Lisboa e Vale do Tejo. Esta situação não foi nem é inevitável”, considera aquela entidade.
Partos já estavam em queda livre
Tal como O MIRANTE já deu nota recentemente, os partos na maternidade do Hospital Vila Franca de Xira que se manterá em funcionamento já tinham caído para metade no último ano. Segundo dados avançados pela ULS Estuário do Tejo, entidade responsável pela gestão do hospital, no último ano foram registados 828 partos na maternidade de VFX, enquanto que no ano anterior, 2024, tinham sido registados 1.593, quase o dobro.


