Constância reporta prejuízos de 2,5 milhões com mais estragos na Igreja Matriz
Tempestade deixou um rasto de destruição em Constância avaliado em 2,542 milhões de euros, com a Igreja Matriz a concentrar a maior fatia dos prejuízos, num concelho onde, segundo o presidente Sérgio Oliveira, “desde 1996 que não havia uma situação com esta dimensão”.
O presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira (PS), apresentou na assembleia municipal de 27 de Fevereiro um balanço dos estragos provocados pela Tempestade Kristin, estimando prejuízos de 2,542 milhões de euros em todo o concelho e sublinhando que “desde 1996 que não havia uma situação com esta dimensão”. A CDU, pela voz de Rui Ferreira e Virgílio André, questionou o executivo sobre o andamento das intervenções no território, com críticas a constrangimentos que ainda persistem em acessos e espaços ribeirinhos.
Segundo o relatório apresentado, a fatia mais pesada dos danos, recai sobre estruturas do património municipal. A Igreja Matriz surge como o caso mais oneroso, com necessidade de um investimento na ordem dos 850 mil euros, na sequência de danos na cobertura e levantamento de telhas. O município atribuiu ainda apoios aos munícipes para reparações em habitações, num total aproximado de 62 mil euros, correspondentes a 13 candidaturas. A queda de árvores e a limpeza das zonas afectadas traduziram-se num prejuízo estimado em 15 mil euros.
Na zona ribeirinha registaram-se falhas de electricidade, com impacto no bar do parque de campismo e em vários estabelecimentos na Praça Alexandre Herculano. As comunicações também foram afectadas, com constrangimentos ao nível das operadoras, obrigando o município a insistir para reposição dos serviços. Ao nível das infraestruturas, a subida do caudal do rio comprometeu a estabilidade da ponte na Estrada Nacional 118, entre o Rossio e a Chamusca, levando ao encerramento da passagem. O estacionamento junto ao Zêzere foi igualmente atingido pela subida das águas e, em Martinchel, mantém-se uma estrada encerrada para trabalhos de limpeza.
Rui Ferreira (CDU) lamentou que a circulação na Estrada de Castelo de Bode continue impedida, destacando o impacto directo na vida dos habitantes de Martinchel que trabalham em Constância. O vereador apontou ainda o estado do parque de campismo, defendendo a necessidade de lavar muros e classificando a situação como um “péssimo cartão de visita” para a vila. Questionou também a responsabilidade do concessionário do bar do parque de campismo. Em resposta, Sérgio Oliveira afirmou que o município reuniu com o concessionário e deixou um ultimato quanto à manutenção do espaço, indicando que o contrato será denunciado no início de Setembro caso não se verifiquem melhorias no serviço. Virgílio André (CDU) colocou o foco no parque de estacionamento junto ao rio Zêzere, atendendo à proximidade das festas de Constância. O presidente da câmara admitiu que a intervenção será profunda, exigindo estudo e aprovação de projecto, e que a obra não deverá estar concluída a tempo das festividades. Explicou ainda que os trabalhos não avançaram devido à instabilidade do nível de água das barragens, mas assegurou que está prevista a colocação de tout venant para garantir o funcionamento do parque.


