Sociedade | 05-03-2026 07:00

Nuno Mira confronta Paulo Queimado e deixa-o sem resposta na Assembleia da Chamusca

Nuno Mira confronta Paulo Queimado e deixa-o sem resposta na Assembleia da Chamusca
Nuno Mira e Paulo Queimado

A tensão subiu de tom na última Assembleia Municipal da Chamusca com um confronto directo entre o ex-presidente e o actual líder da autarquia. Entre acusações de falta de estratégia, investimento “residual” e ausência de rumo para o concelho, Nuno Mira deixou o deputado Paulo Queimado sem resposta: o município herdado está marcado por falhas graves de planeamento e obras mal estruturadas.

A última Assembleia Municipal da Chamusca transformou-se num frente-a-frente político entre o antigo presidente da câmara, Paulo Queimado, e o actual líder do executivo, Nuno Mira, ambos do PS. De um lado, acusações de ausência de estratégia e investimento “residual”. Do outro, uma resposta dura e que deixou o actual deputado sem resposta: Paulo Queimado deixou o município “mergulhado” em falhas de planeamento e decisões mal estruturadas.
Paulo Queimado abriu as hostilidades ao analisar a revisão das Grandes Opções do Plano. Apesar de reconhecer enquadramento legal e equilíbrio orçamental, considerou que a leitura política e financeira “revela fragilidade estratégica”. Segundo o ex-autarca, o investimento estruturante representa menos de 50% do total das obras, o que corresponde a menos de 25% do orçamento municipal. Apontou a verba destinada ao desenvolvimento económico e questionou se o executivo considera o empreendedorismo e a criação de emprego prioridades. Queimado disse ainda que a revisão orçamental não reforça o plano de investimento nem reflecte os fundos comunitários disponíveis no Portugal 2030 e no PRR.
Nuno Mira não hesitou e, com recurso a alguns documentos que tinha na sua posse, colocou o deputado no sítio deixando-o sem resposta. O actual presidente da câmara começou por recordar o orçamento apresentado por Paulo Queimado para 2025: cerca de 26,5 milhões de euros. “Foi anunciado como o maior de sempre”, mas a execução ficou nos 82%, menos quase cinco milhões de euros e abaixo dos 85% recomendados. “Que planeamento é este?”, questionou o presidente.
Nuno Mira comparou ainda as rubricas orçamentais, referindo que o anterior executivo tinha inscrito 12 milhões em GOP, enquanto o actual apresenta nove milhões, diferença que, segundo explicou, resulta da reclassificação de despesas como as refeições escolares e da redução de verbas como a do arquivo municipal. “Quando esmiuçamos os números, percebemos facilmente as diferenças”, afirmou. No que toca às críticas sobre fundos comunitários, o autarca garantiu que apenas inscreve em orçamento projectos com candidaturas aprovadas, precisamente para evitar derrapagens entre previsão e execução.

As obras que envergonham o concelho
Mas foi no capítulo das obras herdadas que Nuno Mira endureceu o discurso. Apontou como exemplo a extensão do centro de dia do Semideiro, inaugurada no mandato anterior e encerrada desde 2023, apesar de ter custado cerca de 300 mil euros suportados integralmente pelo município. “Isto é falta de planeamento”, acusou. Também as piscinas municipais foram trazidas à discussão. Segundo Nuno Mira, a obra foi estruturada por fases de forma incoerente. Será necessário instalar um novo posto de transformação, o que poderá atrasar a conclusão da empreitada por cerca de um ano. “Fala-me de planeamento? Descobri tudo isto nos últimos cinco dias. Disseram-me que desde que tomei posse reuni mais vezes com os responsáveis do que o senhor em anos”, rematou.

À margem/opinião

Paulo Queimado perdeu a vergonha há muitos anos e a Chamusca está a pagar a factura

Para Paulo Queimado parece não haver limites para a incompetência e falta de noção política. Quando um equipamento municipal, como as piscinas da Chamusca, está fechado desde 2019, acumulando atrasos e milhões de euros a mais face ao orçamento inicial, o mínimo que se exige é humildade. No caso do agora deputado municipal Paulo Queimado, o que se vê é precisamente o contrário.
As piscinas municipais transformaram-se na maior vergonha autárquica das últimas décadas, arrisco-me a dizer em toda a região ribatejana. Não apenas pelo tempo a que a população está privada de um serviço essencial, e público, mas pelo descontrolo de gestão que a obra representa. Para cúmulo, a empreitada nem sequer contempla piscinas exteriores, precisamente a valência mais procurada e utilizada pela população desde a construção do complexo.
A falta de vergonha é ainda mais evidente quando, na assembleia, Paulo Queimado tentou fazer boa figura, mas acabou por fazer uma figura triste, ou triste figura. A resposta de Nuno Mira a lembrar factos, prazos falhados e decisões políticas que não podem ser apagadas com discursos ensaiados deixou o conhecido Capataz da Chamusca “azul” e sem resposta.
Bernardo Emídio

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