Sociedade | 06-03-2026 15:00

Plásticos agrícolas continuam a ser queimados e enterrados para fugir a custos

Plásticos agrícolas continuam a ser queimados e enterrados para fugir a custos
Microplásticos ameaçam solos e linhas de água. Esta imagem é uma das muitas captadas na Maracha do Tejo junto ao Patacão - foto O MIRANTE

Montes de plásticos agrícolas acumulados junto a campos da Lezíria continuam a ser queimados ou enterrados para evitar os custos de entrega a empresas licenciadas. A prática, além de ilegal, representa um risco ambiental e de saúde pública.

Montes de plásticos negros acumulados junto a campos agrícolas da Lezíria ribatejana são uma imagem cada vez mais comum. Restos de coberturas, mangas de rega e embalagens usadas nas culturas acabam amontoados durante meses até terem um destino que, muitas vezes, passa por serem enterrados ou queimados a céu aberto. Uma prática ilegal e com impactos ambientais graves que continua a persistir na região.
Fonte do sector dos resíduos explicou a O MIRANTE que a principal razão para esta realidade é evitar custos. “A entrega dos plásticos a empresas licenciadas para o seu tratamento implica pagamento. Muitos agricultores optam por resolver o assunto por conta própria para não gastar dinheiro”, refere. O problema é que essa “poupança” sai cara ao ambiente, acrescenta. Quando queimados, os plásticos libertam gases tóxicos e partículas nocivas, afectando a qualidade do ar e colocando em risco a saúde pública. Quando são enterrados, permanecem anos no solo, fragmentando-se em microplásticos que contaminam terras agrícolas e linhas de água, comprometendo ecossistemas e até a qualidade dos produtos cultivados.
Apesar de existirem operadores licenciados para recolha e tratamento deste tipo de resíduos, a adesão ainda está longe do desejável. Falta informação, sensibilização e acompanhamento técnico. Muitos produtores desconhecem os circuitos correctos de encaminhamento ou as consequências legais e ambientais das práticas irregulares. Segundo a nossa fonte, além de campanhas de esclarecimento mais eficazes, é fundamental reforçar a fiscalização no terreno. “A actuação das autoridades, nomeadamente da GNR, pode ser determinante para travar comportamentos ilegais que prejudicam o território e criam desigualdade entre agricultores cumpridores e aqueles que optam pelo incumprimento”, vinca.

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