Sociedade | 06-03-2026 12:00

Ribatejo a rebentar pelas costuras e um milhão de pessoas aguardam consulta no SNS

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foto ilustrativa

Listas de espera aumentam no SNS e região ribatejana continua a braços com falta de médicos, urgências sobrelotadas e hospitais sob pressão.

Mais de um milhão de portugueses aguardavam consulta de especialidade no final de 2025 e 264 mil esperavam por cirurgia. Os números agora divulgados pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) confirmam um agravamento das listas de espera e traçam um retrato que, na região ribatejana, tem uma realidade concreta tal como O MIRANTE tem vindo a noticiar em várias edições: utentes sem médico de família, urgências congestionadas e hospitais e profissionais de saúde a trabalhar no limite.
Segundo os dados provisórios, 1.088.656 pessoas estavam inscritas na Lista de Espera para Consulta (LEC), mais 13,8% do que em 2024. Já a Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC) integrava 264.615 utentes, um aumento de 3,4%. Apesar de os hospitais do SNS terem realizado cerca de 14 milhões de consultas e 884 mil cirurgias em 2025, a resposta não foi suficiente para travar o crescimento da procura. Na região, os constrangimentos acumulam-se. A Unidade Local de Saúde do Médio Tejo tem enfrentado dificuldades na fixação de médicos especialistas e na estabilização de equipas, realidade que se reflecte nos tempos de espera para consultas hospitalares. Também a Unidade Local de Saúde da Lezíria continua a lidar com carência de clínicos nos cuidados de saúde primários, deixando milhares de utentes sem médico de família.
Aliás, o país terminou 2025 com 1.563.710 pessoas sem médico atribuído, mais 2,7% do que no ano anterior, num universo superior a 10,7 milhões de inscritos nos centros de saúde. Na região, concelhos como Santarém, Almeirim, Salvaterra de Magos ou Coruche têm sido apontados como exemplos de listas extensas e dificuldade em substituir profissionais aposentados. Embora as urgências tenham registado uma quebra de 7,1%, muito por via da implementação de triagens telefónicas, a pressão mantém-se, sobretudo nos períodos de pico sazonal. Autarcas da região têm alertado para o risco de ruptura em serviços essenciais e para a necessidade de reforço estrutural de meios humanos e financeiros.
O SNS fechou o ano com 15.750 milhões de euros de gastos operacionais (+13%) e uma dívida que subiu para 1.471 milhões de euros. Cresceram as despesas com pessoal e medicamentos, mas diminuíram rastreios como o do cancro da mama (-10,3%), um dado que também preocupa profissionais de saúde locais.

Interior perde médicos para o litoral

No interior da região a falta de médicos de família deixou de ser um problema conjuntural para se tornar estrutural. Em vários concelhos do Médio Tejo e da Lezíria, milhares de utentes continuam sem clínico atribuído, apesar da abertura sucessiva de concursos que acabam, muitas vezes, desertos. Municípios como Sardoal, Mação, Ferreira do Zêzere, Alpiarça, Chamusca ou Golegã têm criado pacotes de incentivos para tentar captar profissionais: apoio à habitação, comparticipação em despesas de deslocação, bolsas para fixação e até protocolos para integração familiar.
Apesar dos incentivos financeiros e logísticos, a ausência de condições estruturais, carga assistencial elevada, isolamento geográfico e menor oferta de serviços complementares, parece continuar a pesar na decisão dos profissionais.

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