Filipa Rodrigues dá rosto e voz à violência doméstica para que outras denunciem
Sofreu agressões, insultos, ameaças. Foi violada e mutilada pelo homem que um dia amou. Viu a vida por um fio, como tantas outras mulheres, mas sobreviveu. O ciclo de violência quebrou-se e Filipa Rodrigues tornou-se inspiração para quem se quer desamarrar das teias de um agressor. Em véspera do dia de luto nacional em homenagem às vítimas de violência doméstica, que se assinala hoje, foi divulgado que 26 mulheres foram assassinadas em Portugal e 57 vítimas de tentativa de homicídio.
Depois de ter terminado a relação, decisão que não foi bem aceite, planeou a saída em segredo. Conseguiu arrendar uma casa, escondeu o contrato na mochila da filha, guardou a chave no salão de cabeleireiro que tem em Tomar, mas não teve tempo de pôr o plano em prática. Dois dias depois de ter assinado o contrato de arrendamento, Filipa Rodrigues viveu momentos de terror às mãos do ex-companheiro que marcariam para sempre a sua vida. Forçada a entrar no carro, foi agredida e violada. Viu o cabelo, as sobrancelhas e pestanas serem-lhe rapadas e passou pela dor de ficar sem um dedo, cortado à tesourada pelo homem que um dia amou. “Acreditei mesmo que estava a viver os meus últimos momentos. Ele ia para me matar. Dizia que se não era dele, não era de mais ninguém, que não tinha nada a perder”.
Há no país tantas outras histórias a começar como a de Filipa Rodrigues e a acabar em violência ou mesmo em morte. A 6 de Março, um dia antes de se assinalar o dia de luto nacional em homenagem às vítimas de violência doméstica e no dia em que a cabeleireira de Tomar recorda a O MIRANTE o sofrimento que viveu, o Observatório de Mulheres Assassinadas revelou que 709 mulheres foram assassinadas entre 2002 e 2025 e que 939 foram vítimas de tentativa de homicídio, sendo que no último ano foram sinalizados 22 femicídios, todos cometidos por homens. Os dados dessa estrutura da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), dão também conta que em 2025 foram assassinadas 26 mulheres em Portugal e que 57 foram vítimas de tentativa de homicídio.
Artigo desenvolvido na próxima edição impressa de O MIRANTE.


