Nova descarga no Eco Parque Relvão reabre ferida ambiental antiga na Chamusca
Escorrência negra, com cheiro intenso e suspeitas de contaminação, voltou a pôr o Ecoparque do Relvão sob vigilância e reabriu um dossier ambiental que há anos inquieta a Chamusca. O caso foi confirmado pelo presidente da câmara.
O incidente registado no Eco P arque do Relvão, debatido na reunião de câmara da Chamusca de 3 de Março, voltou a expor uma das maiores fragilidades de um complexo industrial que há anos é motivo de suspeitas, denúncias e episódios de impacto ambiental. Segundo explicou o presidente da câmara, Nuno Mira (PS), foi detectada uma escorrência com cor negra e odor intenso desagradável, com possível contaminação, que acabou por escorrer para uma ribeira. Perante a gravidade da situação, foram accionados o SEPNA e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), tendo esta entidade estado no local ainda nesse dia.
O caso reacende a preocupação em torno do Eco Parque do Relvão, na Carregueira, uma infra-estrutura estratégica à escala nacional para o tratamento e valorização de resíduos, mas que continua a carregar um passivo de desconfiança junto de autarcas, populações e movimentos cívicos. Não se trata de um episódio isolado. Em Março de 2024 já tinha sido reportada uma escorrência de lixiviados para terrenos, com a empresa responsável a assumir a limpeza, numa altura em que o próprio município reconhecia a urgência de retomar a comissão de acompanhamento do eco parque, parada desde a pandemia. O último registo público dessa comissão no site da câmara remontava, aliás, a Julho de 2018, incluindo já então referência a uma descarga de lamas provocada por armazenamento inapropriado numa das empresas instaladas no complexo.
A falta de informação regular sobre análises à qualidade da água e do ar, bem como sobre as ocorrências ambientais naquela zona, tem sido repetidamente apontada pela oposição e por movimentos de cidadãos como um sinal de laxismo no acompanhamento de uma área particularmente sensível. Em Outubro de 2024, após mais uma descarga de lixiviados que afectou a zona ribeirinha dos campos da Carregueira, voltaram a ouvir-se críticas à inactividade da comissão de acompanhamento e à demora em tornar públicos relatórios e procedimentos.
Mas o historial do Relvão é ainda mais antiga. Em 2015, O MIRANTE dava conta de suspeitas de contaminação de solos no eco parque e relatava que uma empresa ali instalada foi apanhada em flagrante a fazer descargas ilegais para a rede de águas pluviais, numa altura em que também surgiram alertas para alterações anómalas na água de uma lagoa nas imediações. Desde então, o Relvão tem permanecido no centro de um equilíbrio difícil entre a sua importância nacional no sector dos resíduos e os impactos reais sentidos no território.


