Sociedade | 08-03-2026 07:00

Protecção Civil do Médio Tejo alerta para falta de meios perante alterações climáticas

Protecção Civil do Médio Tejo alerta para falta de meios perante alterações climáticas

Proteção Civil do Médio Tejo quer reforçar urgentemente meios humanos, equipamentos e infraestruturas para responder a fenómenos extremos cada vez mais frequentes. O alerta surge após a tempestade Kristin, que mobilizou mais de 10 mil operacionais e deixou 315 pessoas desalojadas ou deslocadas na região.

O comandante sub-regional do Médio Tejo, David Lobato, defendeu que o sistema de protecção civil precisa de mais recursos para responder ao que classificou como o “novo normal” provocado pelas alterações climáticas. O responsável sublinhou que, sem investimento em pessoas e equipamentos, continuará a haver dificuldades em garantir socorro eficaz às populações, sobretudo em territórios mais isolados. O balanço da resposta à depressão Kristin e ao Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo foi apresentado no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha. Entre 28 de Janeiro e 20 de Fevereiro, a região enfrentou uma situação considerada “completamente anómala”, com dois alertas simultâneos, cheia no Tejo e tempestade, que obrigaram à mobilização de 10.274 operacionais e 3.618 veículos.
Apesar de reconhecer que o planeamento iniciado em 2023 pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo permitiu reforçar alguns meios, David Lobato defendeu que é necessário acelerar a aquisição de equipamentos considerados essenciais, como sistemas de comunicação por satélite e tendas logísticas. Estes recursos são vistos como fundamentais em cenários de falha generalizada das redes de comunicações e de energia eléctrica. A tempestade teve também forte impacto social, com 179 deslocados e 136 desalojados, situação que levou o comandante a defender mudanças legislativas para as infraestruturas sociais. Entre as propostas está a obrigatoriedade de geradores nas instituições particulares de solidariedade social, especialmente nos lares de idosos.
O concelho de Ourém foi o mais afectado, com 62 desalojados, seguindo-se Tomar e Ferreira do Zêzere, também com elevado número de ocorrências e danos estruturais. No terreno, a resposta incluiu a colocação de 17.600 metros de lonas impermeáveis e 7.200 telhas para proteção de habitações e edifícios públicos. Segundo David Lobato, a operação teve uma complexidade diferente da que ocorre em incêndios rurais, uma vez que a tempestade provocou cortes generalizados de comunicações e electricidade e deixou estradas bloqueadas por árvores. Ainda assim, as principais vias foram desobstruídas nas primeiras 48 horas para garantir a circulação dos meios de socorro.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias

    Edição Semanal