Protecção Civil do Médio Tejo alerta para falta de meios perante alterações climáticas
Proteção Civil do Médio Tejo quer reforçar urgentemente meios humanos, equipamentos e infraestruturas para responder a fenómenos extremos cada vez mais frequentes. O alerta surge após a tempestade Kristin, que mobilizou mais de 10 mil operacionais e deixou 315 pessoas desalojadas ou deslocadas na região.
O comandante sub-regional do Médio Tejo, David Lobato, defendeu que o sistema de protecção civil precisa de mais recursos para responder ao que classificou como o “novo normal” provocado pelas alterações climáticas. O responsável sublinhou que, sem investimento em pessoas e equipamentos, continuará a haver dificuldades em garantir socorro eficaz às populações, sobretudo em territórios mais isolados. O balanço da resposta à depressão Kristin e ao Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo foi apresentado no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha. Entre 28 de Janeiro e 20 de Fevereiro, a região enfrentou uma situação considerada “completamente anómala”, com dois alertas simultâneos, cheia no Tejo e tempestade, que obrigaram à mobilização de 10.274 operacionais e 3.618 veículos.
Apesar de reconhecer que o planeamento iniciado em 2023 pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo permitiu reforçar alguns meios, David Lobato defendeu que é necessário acelerar a aquisição de equipamentos considerados essenciais, como sistemas de comunicação por satélite e tendas logísticas. Estes recursos são vistos como fundamentais em cenários de falha generalizada das redes de comunicações e de energia eléctrica. A tempestade teve também forte impacto social, com 179 deslocados e 136 desalojados, situação que levou o comandante a defender mudanças legislativas para as infraestruturas sociais. Entre as propostas está a obrigatoriedade de geradores nas instituições particulares de solidariedade social, especialmente nos lares de idosos.
O concelho de Ourém foi o mais afectado, com 62 desalojados, seguindo-se Tomar e Ferreira do Zêzere, também com elevado número de ocorrências e danos estruturais. No terreno, a resposta incluiu a colocação de 17.600 metros de lonas impermeáveis e 7.200 telhas para proteção de habitações e edifícios públicos. Segundo David Lobato, a operação teve uma complexidade diferente da que ocorre em incêndios rurais, uma vez que a tempestade provocou cortes generalizados de comunicações e electricidade e deixou estradas bloqueadas por árvores. Ainda assim, as principais vias foram desobstruídas nas primeiras 48 horas para garantir a circulação dos meios de socorro.


