Degradação de infraestruturas agrícolas preocupam em Azambuja
Rombos em taludes e valas que servem os campos agrícolas, além de danos em estradas municipais estão em situação preocupante, diz o presidente do município que defende investimento nacional. APA financia reparação de estrada danificada que avança esta segunda-feira, 9 de Março.
O presidente da Câmara da Azambuja, Silvino Lúcio, alertou para a “situação preocupante” das infraestruturas agrícolas no Vale da Azambuja que foram danificadas pelo mau tempo, defendendo que a recuperação “exige investimento nacional” e não pode ser suportada apenas pelos municípios.
O autarca socialista explicou, em declarações à Lusa, que a tempestade provocou “uma série de rombos” nos taludes e valas que servem a rega dos campos agrícolas, além de danos significativos em portas de água e estradas municipais. Um dos casos mais graves ocorreu na estrada de acesso ao Palácio da Azambuja, onde “cerca de 30 metros desapareceram”, após a força da água ter rompido o talude da vala adjacente. “Os campos ficam alagados, depois escoam, voltam a encher, e isto impede os agricultores de sequer começarem a preparar as sementeiras”, afirmou Silvino Lúcio, sublinhando que a situação compromete culturas como tomate e milho, essenciais para a economia agrícola da região.
O autarca revelou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já autorizou a intervenção de emergência na estrada afectada e assumiu o pagamento da obra. “Esta segunda feira [9 de Março] estaremos em condições de iniciar a reparação”, disse, explicando que o município está a recorrer ao regime excecional aplicável aos concelhos em situação de calamidade, que permite ajustes diretos até 500 mil euros.
O responsável considerou que o problema não se resume exclusivamente ao mau tempo recente, mas resulta de "algum abandono” das infraestruturas hidráulicas que servem o vale. “Tem havido falta de manutenção dos diques, taludes e valas que atravessam todo o território, desde Rio Maior ao Cartaxo. Quando chegam fenómenos com esta violência, os efeitos são devastadores”, afirmou.
O autarca admitiu que os municípios não têm capacidade financeira nem meios técnicos para responder à dimensão dos estragos. “As câmaras não conseguem, por si só, assumir estas intervenções. Em alguns casos, serão os próprios proprietários a tentar defender-se, mas isto exige uma ação concertada e investimento nacional”, defendeu.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirmou que vai financiar a intervenção de emergência acordada, na estrada do Palácio, com o município. “Combinámos com o presidente da Câmara que a obra começa segunda feira. Já fechámos o financiamento e posso dizer isso em primeira mão”, afirmou o presidente da APA, José Pimenta Machado, garantindo que a reparação do rombo será acompanhada tecnicamente pela agência.


