Festival do Cogumelo afirma identidade da Parreira e reforça economia local
Há quase uma década que o Festival do Cogumelo transforma a Parreira num ponto de encontro entre tradição, economia e orgulho comunitário.
O Festival do Cogumelo da Parreira consolidou-se como um dos acontecimentos mais marcantes do calendário do concelho da Chamusca, afirmando-se simultaneamente como celebração cultural e motor económico da freguesia da Parreira. Para o presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira, o festival é muito mais do que um certame gastronómico. É a afirmação de uma identidade construída ao longo de gerações. “O cogumelo marca a identidade da Parreira”, sublinha, recordando que a apanha e venda deste produto silvestre foram, durante décadas, complemento essencial ao rendimento de muitas famílias. “Há casas que foram feitas graças à apanha do cogumelo”, recorda o autarca. Essa memória colectiva está na génese do festival, que nasceu há cerca de dez anos, contando já com nove edições, depois de uma interrupção forçada pela pandemia, precisamente para valorizar essa herança e projectá-la no presente.
Também o presidente da União de Freguesias da Parreira e Chouto, Vasco Lopes, destaca o impacto económico directo do evento e da própria actividade micológica. Ao longo dos anos, a apanha do cogumelo permitiu a muitas pessoas “um rendimento extra” que fez diferença na melhoria das condições de vida. Para o autarca, esse impacto continua visível e justifica plenamente a aposta na realização anual do festival.
Mas o certame não vive apenas do passado. O Festival do Cogumelo atrai empresas de norte a sul do país, que apresentam diferentes espécies e produtos derivados, reforçando a vertente empresarial e dinamizando o comércio local. Restaurantes, produtores e artesãos encontram no evento uma oportunidade de promoção e venda, enquanto a freguesia ganha visibilidade regional. Nuno Mira sublinha precisamente essa dimensão estratégica. Ao atrair visitantes e expositores de várias regiões, o festival “coloca a Parreira no mapa” e contribui para afirmar o território no contexto do Ribatejo. A realização anual do evento funciona como cartão-de-visita da freguesia, dando a conhecer não apenas o cogumelo, mas também as suas gentes, tradições e potencialidades. Outro dos pilares do festival é o envolvimento da comunidade. Associações locais, voluntários e colectividades unem esforços numa demonstração de associativismo e entreajuda que, segundo Vasco Lopes, é motivo de orgulho.
“O Festival do Cogumelo pôs a Parreira e o Chouto no mapa do país”
À frente da vertente científica e formativa do Festival do Cogumelo, Marta Ferreira é um dos rostos que melhor traduz o crescimento e a afirmação de um evento que já ultrapassou fronteiras. Especialista na área da micologia, assume a responsabilidade pela informação e formação do certame e não tem dúvidas de que a iniciativa é hoje uma marca identitária da União de Freguesias da Parreira e Chouto. O festival apresenta-se “bem cimentado” e com uma capacidade crescente de atrair visitantes de todo o país. Do Porto ao Algarve, são cada vez mais os que rumam à freguesia, fenómeno que a organização consegue até mapear através da adesão aos populares pastéis micológicos. “Perguntamos às pessoas de onde vêm e percebemos que a notoriedade está a aumentar”, explica.
A génese do festival remonta a uma tradição antiga da região: a apanha de cogumelos, que durante décadas teve peso económico significativo para muitas famílias. A União de Freguesias decidiu, há dez anos, transformar esse património num evento estruturado, valorizando o produto e promovendo o território. O envolvimento da comunidade é total. Associações e voluntários participam na decoração, na gastronomia e na logística, num esforço colectivo que Marta Ferreira considera “fundamental”.
Para o futuro, a palavra de ordem é inovação. Este ano o festival reforçou a componente científica, com palestras e investigadores convidados, aproximando a micologia da comunidade. Entre chefs criativos e novos temas, o objectivo mantém-se: crescer, diversificar e continuar a afirmar a Parreira e o Chouto como terra de cogumelos.


