Sociedade | 10-03-2026 10:52

Torres Novas quer nova vistoria a escola com problemas estruturais identificados há 17 anos

Torres Novas quer nova vistoria a escola com problemas estruturais identificados há 17 anos

Município pede nova avaliação do LNEC a edifício com problemas estruturais identificados e que já esteve para ser demolido.

O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques (PS), aproveitou a recente presença de técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) na cidade para uma visita à Escola Secundária Maria Lamas com o objectivo ser pedida uma nova vistoria ao edifício mais recente. O mesmo que foi alvo de avaliações, em 2009, pelo Ministério da Educação (ME) e posteriormente pelo LNEC, que concluíram que apresentava anomalias na construção, apontando um deles para a demolição.
“Sem termos um diagnóstico não podemos proceder à sua reparação. Nem podemos orçamentar o arranjo de um edifício sem ter um diagnóstico, sem saber o custo. Além disso vamos tentar candidatura a fundos e tem de ser em parceria com o Ministério da Educação”, disse o autarca socialista em declarações a O MIRANTE.
Numa publicação recente nas suas redes sociais, José Trincão Marques escreveu que o edifício em causa “apresenta danos estruturais gravíssimos” o que levou, por sua vez, o vereador sem pelouros do PSD, Tiago Ferreira, a fazer uma comunicação onde questiona se foi preciso o LNEC ir a Torres Novas para “constatar uma realidade conhecida há vários anos” e evidenciada por um relatório dessa mesma entidade que identificou “problemas estruturais graves” no edifício.
O social-democrata fez saber que enviou um requerimento ao presidente do município e deixou no ar a dúvida se estarão garantidas as condições de segurança para a comunidade escolar. Sobre esta questão, José Trincão Marques diz não estar em condições de responder com clareza. “Neste momento não sei nem ninguém sabe. Só quando vier o relatório”, disse, sublinhando que se deve aguardar a vistoria e novo relatório.
O autarca socialista salienta que é do interesse de todos o arranjo daquele edifício onde “há infiltrações de água e rachas nas paredes”. À pergunta lançada pelo nosso jornal sobre se não deveria aquele edifício ter sido alvo de uma intervenção de fundo em mandatos anteriores, também presididos por socialistas, José Trincão Marques diz que não fará “juízos de valor” sem ter em sua posse as conclusões de um novo e actual relatório do LNEC.

O PSD defende uma “acção imediata com vontade política e verbas” e critica o PS por ter dito, aquando da preparação do orçamento municipal, que “não havia dinheiro”, tendo-se depois constatado, na última assembleia municipal, que “houve um excedente orçamental de cinco milhões de euros”. Tiago Ferreira vinca: “Existe saldo orçamental e a Educação é uma prioridade”.

A cumprir o primeiro mandato como presidente da Câmara de Torres Novas, depois de ter sido durante dez anos presidente da assembleia municipal, José Trincão Marques reconhece que a Escola Maria Lamas necessita de ser intervencionada, assim como outros estabelecimentos de ensino do concelho que também apresentam “problemas estruturais”. Entre outros, elencou, a escola Artur Gonçalves e a escola de Riachos. O autarca aponta investimento a ser contemplado no próximo orçamento municipal. “Espero a partir de Junho começar a trabalhar no novo orçamento e já contemplar uma intervenção na [Escola] Maria Lamas e outros edifícios com problemas estruturais.

Contactada por O MIRANTE, a directora do Agrupamento de Escolas Gil Paes, Isilda Pereira, refere que “não foi realizada qualquer avaliação técnica recente que identifique problemas de segurança no edifício” e que “acompanha com sentido de responsabilidade qualquer iniciativa que vise estudar, de forma rigorosa, a melhoria das condições da escola, sempre com o objectivo de beneficiar a comunidade educativa”.
Tecto caiu em 2018 mas requalificação deixou edifício de fora
Os problemas no edifício da Escola Secundária Maria Lamas têm sido tema recorrente ao longo da última década. Inaugurado em 2002, o edifício B, o mais recente, custou um milhão de euros e apresentou problemas estruturais poucos anos após a sua conclusão, desde brechas a infiltrações, tendo a sua demolição chegado a ser considerada pelo ME por não respeitar as normas legais referentes à certificação energética e qualidade do ar em vigor desde 2006. Em 2010 esteve prevista a sua requalificação no âmbito do programa Parque Escolar. “O processo acabou por não avançar e, desde então, não se realizaram intervenções estruturais nem de modernização”, sublinha a direcção.
Em Fevereiro de 2018, tal como O MIRANTE noticiou, o tecto de uma sala de aula desse mesmo edifício desabou. A sala estava vazia, não tendo havido feridos a registar, e nela já estavam, antes do incidente, colocados baldes para recolha de água devido a infiltrações. Em Março desse ano, o então presidente do município, Pedro Ferreira (PS), apresentou naquele estabelecimento o projecto de requalificação, orçado em 1,7 milhões de euros, mas que deixava de fora o edifício B. A intervenção não gerou consenso entre a comunidade escolar, com pais e professores a considerar prioritárias as obras no edifício mais recente. Na altura, Pedro Ferreira disse que era o projecto possível, com candidatura a fundos comunitários já aprovada e cujas obras foram decididas pelo ME.

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