Médio Tejo acusa ministro de “injustiça” e rejeita culpas nos atrasos aos apoios
Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo reagiu com dureza às declarações do ministro da Economia e Coesão Territorial sobre os atrasos na atribuição de apoios à reconstrução de casas afectadas pelo mau tempo, recusando que as autarquias sejam responsabilizadas por um processo que, garante, continua bloqueado sobretudo nas CCDR.
Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo repudiou as declarações do ministro Manuel Castro Almeida, que atribuiu às câmaras municipais a demora na avaliação das candidaturas aos apoios para reconstrução de habitações afectadas pelo mau tempo. Em comunicado, a CIM fala em “total desacordo” com as afirmações do governante e considera que as autarquias estão a ser alvo de uma responsabilização “injusta”. Em declarações à Lusa, o vice-presidente da CIM do Médio Tejo, Bruno Gomes, afirmou que “o que não é de todo verdade é que a responsabilidade seja dos municípios”, sublinhando que a maior parte das candidaturas já analisadas pelas autarquias continua dependente da validação final das comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR).
O governante tinha admitido, nas jornadas parlamentares do PSD, em Caminha, que o processo “não está a correr bem”, mas rejeitou responsabilidades do Governo. “Temos 25 mil candidaturas a apoios, no valor de 143 milhões de euros, e o dinheiro que chegou às mãos das pessoas ainda é muito pouco. Porquê? Porque está a demorar o processo de avaliação a cargo das câmaras municipais”, afirmou. A resposta da CIM do Médio Tejo não se fez esperar. A estrutura intermunicipal sustenta que essa leitura “não corresponde à realidade do processo em curso” e recorda que foi o próprio Governo a entregar aos municípios a tarefa de verificar as candidaturas, sem consulta prévia e sem reforço de meios técnicos e administrativos.
Bruno Gomes, que é também presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, considera que as declarações do ministro “não são de todo intervenções equilibradas” e diz ser necessária “uma clarificação daquilo que está a correr mal”. Segundo o autarca, “só cerca de 10%” das candidaturas analisadas pelos municípios receberam até agora validação final por parte das CCDR, permitindo a consequente libertação de verbas. A CIM sustenta que os municípios “têm estado, como sempre estiveram, na linha da frente no apoio às populações afectadas”, mobilizando recursos humanos e técnicos para responder às situações identificadas. Ainda assim, alerta que esse esforço não chega se o Estado não reforçar também os meios nas estruturas governamentais que têm de validar o processo. Bruno Gomes lembra que os municípios assumiram “um compromisso e uma responsabilidade” que não lhes pertenciam originalmente, precisamente para ajudar a acelerar a resposta. Para isso, a CIM do Médio Tejo celebrou protocolos com a Ordem dos Engenheiros e a Ordem dos Arquitectos, conseguindo mobilizar cerca de 700 técnicos para apoiar a análise dos prejuízos nas habitações.


