Moradores contestam instalação de fábrica no Entroncamento mas presidente promete reduzir impacto
Empresa quer investir seis milhões no Entroncamento e instalar uma fábrica junto à urbanização da zona do Casal Vidigal, criando cerca de 50 empregos. A decisão está a ser contestada por moradores, que acusam o município de desrespeitar compromissos urbanísticos prévios. Presidente da câmara promete medidas para reduzir o impacto da unidade industrial.
Uma empresa da área do packaging pretende investir cerca de seis milhões de euros no concelho do Entroncamento, criando aproximadamente 50 postos de trabalho. A nova unidade industrial, com cerca de 5.500 metros quadrados, deverá instalar-se na zona do Casal Vidigal, junto a uma área habitacional, decisão que está a gerar forte contestação entre os moradores.
Em declarações a O MIRANTE, os habitantes da urbanização dizem sentir-se sobrecarregados com o crescimento industrial na zona, com João Pedro Dâmaso a explicar que, apesar de o PDM de 1995 ter classificado parte da área como industrial, o município reconheceu posteriormente o erro e comprometeu-se, em 2000, a corrigir a situação. No entanto, a revisão do PDM concluída em 2025 manteve a afectação a actividades económicas. “Há aqui uma afectação do território que devia ser gerido pelo município, que não está a ser concordante com aquilo que são os compromissos assumidos ao longo do tempo”, afirma. Ana Patrícia, moradora na urbanização desde 2010, descreve a transformação da zona como desgastante e recorda que já em 2019 os moradores avançaram com uma providência cautelar contra o Parque Empresarial e que, em 2024, apresentaram um abaixo-assinado devido à alteração da sinalização que passou a permitir a circulação de pesados na Rua dos Operários. “Com esta nova empresa vou sair à porta de casa e ter uma fábrica do outro lado da estrada. Não foi isto que idealizei para a minha vida”, lamenta, apontando o ruído e a circulação de camiões até “altas horas da noite” como factores de insegurança e descontentamento. Os moradores reconhecem que sempre existiu a zona industrial nas proximidades, mas consideram que a expansão do Parque Empresarial e a instalação de novas unidades fabris representam uma sobrecarga incomportável. “Em poucos anos fomos de uma zona habitacional sossegada para uma urbanização rodeada de fábricas”, resumem.
Presidente promete medidas de mitigação
O assunto foi discutido na reunião de câmara de 19 de Fevereiro, onde foi aprovada uma proposta para interditar a circulação de veículos pesados na Rua dos Operários. O presidente da câmara, Nelson Cunha, explicou que a medida visa salvaguardar moradores e empresas, adiantando que a entrada para a nova fábrica poderá vir a ser feita pelas traseiras do lote, evitando a passagem pelo interior da urbanização. Em declarações a O MIRANTE, Nelson Cunha confirmou que a medida surgiu após reunir com os moradores e que pretende transmitir à empresa o desagrado manifestado. Entre as soluções em análise estará também a criação de uma cortina arbórea ao longo da via, com plantação de árvores, e a implementação de barreiras de protecção sonora e visual. “O modelo ideal é fazer a entrada para a empresa pelas traseiras do lote, mas temos de ver o que o PDM permite”, explicou, acrescentando que uma das principais preocupações dos moradores, a circulação de pesados, já está a ser resolvida com sinalização que obriga os camiões a contornar a urbanização. O presidente reconhece que o PDM actualmente em vigor classifica aquela área como expansão económica, mas lembra que tal foi aprovado antes da tomada de posse do actual executivo. “No PDM os terrenos estão todos para expansão económica, então não posso simplesmente impedir que as empresas invistam ali, mas vamos tentar colmatar ao máximo o impacto da localização desta nova empresa na urbanização”, assegura, acrescentando que a câmara tem já agendada uma reunião com a empresa para chegar a um consenso.


