Esgotos a transbordar afectaram habitações em Foros de Salvaterra e Marinhais
Precipitação intensa durante as tempestades deixou moradores com prejuízos e um problema que a Câmara de Salvaterra de Magos e a entidade gestora do saneamento reconhecem como complexo e estrutural.
Os moradores dos Foros de Salvaterra e de Marinhais enfrentaram, nas últimas semanas, a entrada de esgotos nas suas habitações durante períodos de chuva intensa, numa situação que expôs fragilidades na drenagem de águas pluviais e residuais em zonas marcadas por terrenos planos e níveis freáticos elevados. A presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, Helena Neves, reconheceu que o concelho enfrenta condicionantes estruturais decorrentes da sua orografia “extremamente plana”, o que dificulta o escoamento das águas, sobretudo nas áreas mais baixas.
“Foi algo muito fora do normal”, afirmou a autarca, referindo-se aos episódios registados nas últimas semanas, em que a água da chuva acabou por entrar nas redes domésticas de esgotos, provocando refluxos e inundações. Segundo explicou, o município já iniciou acções de fiscalização no terreno e admite avançar com a contratação de uma entidade externa para elaborar um diagnóstico às linhas de água e à rede de drenagem de águas pluviais.
A intenção passa por desenvolver um plano de drenagem para todo o concelho, com especial atenção para Foros de Salvaterra e Marinhais, zonas identificadas como mais vulneráveis. “Tem de haver um plano e muito trabalho de prevenção, também com a população”, sublinhou, admitindo que o aumento da construção e a impermeabilização dos solos tendem a agravar o problema.
De acordo com informação municipal, nos últimos três a quatro anos terão sido notificados cerca de 400 proprietários para procederem à limpeza de linhas de água em terrenos privados, uma vez que muitas dessas valas atravessam propriedades particulares. A autarca admite que a intervenção em espaço privado constitui uma das maiores dificuldades, a par da articulação de competências com outras entidades, como a Agência Portuguesa do Ambiente.
Também a Águas do Ribatejo reconhece a gravidade das ocorrências. O director-geral da empresa, Miguel Carrinho, explicou que os sistemas de saneamento estão dimensionados para águas residuais e não para caudais elevados de águas pluviais. “Quando chove muito, entra nas redes um volume de água muito superior ao que foram concebidas para encaminhar”, afirmou, apontando infiltrações, ligações indevidas de caleiras e pátios às redes de esgoto e ausência de separação em sistemas mais antigos como factores que agravam a sobrecarga.
Segundo o responsável, durante os episódios mais críticos, as estações elevatórias estiveram a funcionar 24 horas por dia e não foram detectadas obstruções nos colectores, tratando-se de “situações limite” provocadas por excesso de caudal. A empresa mobilizou camiões de aspiração para as zonas mais afectadas, numa tentativa de minimizar o impacto, embora reconheça tratar-se de medidas paliativas.
A Águas do Ribatejo anunciou ainda o reforço da fiscalização e a preparação de uma campanha de sensibilização para alertar os munícipes para a necessidade de eliminar ligações indevidas às redes de águas residuais. “Se impedirmos que esta água entre nos colectores, ela terá de escoar para outro lado. É um trabalho que exige articulação com o município e outras entidades”, referiu Miguel Carrinho.


