Mário Zambujal, escritor e voz maior do jornalismo, morreu aos 90 anos
A morte de Mário Zambujal, aos 90 anos, deixa o jornalismo português mais. Escritor e jornalista de referência, distinguiu-se por uma forma de contar o país feita de talento, ironia e proximidade. Em 2004 esteve com O MIRANTE na altura em que o nosso jornal recebeu o prémio Gazeta.
Mário Zambujal, jornalista e escritor de referência, morreu na quinta-feira, 12 de Março, aos 90 anos, deixando uma marca no jornalismo e na literatura portugueses. Autor de Crónica dos Bons Malandros, obra incontornável publicada em 1980, Zambujal foi também um nome maior da imprensa nacional, com passagens por títulos históricos e uma forma única de contar histórias, com inteligência, ironia e uma humanidade rara. Tem uma história particular com O MIRANTE, no ano de 2004, altura em que o nosso jornal foi distinguido com o prémio Gazeta.
Na cerimónia, conversámos com Mário Zambujal, que conhecia bem o nosso projecto editorial e dizia identificar-se com ele precisamente pela aposta num jornalismo de proximidade, atento às pessoas, ao território e às histórias que tantas vezes passam ao lado dos grandes centros. Essa identificação não surpreendia, uma vez que Mário Zambujal foi sempre um contador de histórias do país real, das suas figuras, contradições e afectos, alguém que percebia o valor da notícia sem perder de vista a alma de quem a protagoniza. A sua escrita e a sua presença pública faziam-se dessa rara combinação entre rigor e empatia.
A notícia da sua morte foi avançada pela editora Clube do Autor, que evocou o “eterno bom malandro” para assinalar o desaparecimento de uma personalidade que conquistou gerações de leitores e espectadores. Também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, reagiu à morte, sublinhando que a forma de comunicar de Mário Zambujal “fez escola no jornalismo português”. Antes de se afirmar como romancista de sucesso, Zambujal já era um rosto conhecido dos portugueses, nomeadamente como pivot do programa “Domingo Desportivo”, na RTP. Mas o seu percurso no jornalismo vinha de muito antes. Foi chefe de redacção d’O Século, dirigiu o Mundo Desportivo, integrou os quadros de A Bola, do Diário de Lisboa e do Diário de Notícias, e foi o primeiro director do semanário Se7e. Ao longo de décadas, construiu um trajecto de prestígio assente num estilo próprio, feito de proximidade, sensibilidade e talento narrativo.


