Despesa com medicamentos cardiovasculares cresce 41% em nove anos
Relatório da Direcção-Geral da Saúde evidencia o peso crescente das doenças cardiovasculares no sistema de saúde, num contexto em que hospitais reforçam acções de sensibilização para prevenir patologias vasculares que afectam milhares de portugueses.
A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos para doenças cardiovasculares aumentou 41% entre 2015 e 2024, atingindo os 505 milhões de euros no último ano, segundo um relatório divulgado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS). Em 2015, o valor gasto com estes fármacos situava-se nos 357 milhões de euros. Os dados do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares (PNDCCV) mostram o impacto crescente destas patologias no sistema de saúde, tanto ao nível da despesa farmacêutica como dos internamentos hospitalares.
O relatório identifica vários factores para este aumento, entre os quais o envelhecimento da população, o crescimento do número de doentes com patologias cardiovasculares crónicas e a introdução de medicamentos mais recentes e com custos unitários mais elevados. Como estes fármacos são comparticipados em percentagem do preço total, a subida do custo por medicamento traduz-se directamente num maior encargo para o SNS. Outro factor apontado é a natureza crónica destas doenças. O aumento do número de doentes e a duração mais prolongada dos tratamentos fazem crescer o consumo global de medicamentos ao longo dos anos.
A maior parte da despesa farmacêutica ocorre na farmácia comunitária, responsável por cerca de 93% do total. Em 2024, a comparticipação pública em medicamentos cardiovasculares dispensados nas farmácias rondou os 466 milhões de euros, muito acima dos 38,8 milhões gastos com estes fármacos em ambiente hospitalar. Perante este peso crescente, o relatório defende medidas que possam melhorar a eficiência da despesa pública, nomeadamente a reclassificação de medicamentos genéricos para o escalão A de comparticipação.
O aumento da prevalência destas patologias tem levado também os serviços de saúde a reforçar acções de prevenção e sensibilização. Foi o caso do Serviço de Cirurgia Vascular da Unidade Local de Saúde da Lezíria, que promoveu a 4 de Março uma iniciativa dedicada à patologia vascular periférica, com especial destaque para a insuficiência venosa e arterial. A iniciativa procurou alertar utentes e profissionais de saúde para doenças que muitas vezes evoluem de forma silenciosa, mas que podem provocar complicações graves e afectar significativamente a qualidade de vida dos doentes.


