Sociedade | 15-03-2026 21:00

Edifício da Escola Maria Lamas com problemas estruturais volta a suscitar dúvidas

Edifício da Escola Maria Lamas com problemas estruturais volta a suscitar dúvidas
Escola Maria Lamas tem problemas estruturais que precisam de ser resolvidos - foto arquivo O MIRANTE

Câmara de Torres Novas pede nova avaliação do Laboratório Nacional de Engenharia Civil a imóvel com problemas estruturais identificados e que já esteve para ser demolido.

O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques (PS), aproveitou a recente presença de técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) na cidade para uma visita à Escola Secundária Maria Lamas com o objectivo de ser pedida uma nova vistoria ao edifício mais recente. O mesmo que foi alvo de avaliações, em 2009, pelo Ministério da Educação e posteriormente pelo LNEC, que concluíram que apresentava anomalias na construção, apontando um deles para a demolição. “Não podemos orçamentar o arranjo de um edifício sem ter um diagnóstico, sem saber o custo. Além disso, vamos tentar uma candidatura a fundos e tem de ser em parceria com o Ministério da Educação”, disse o autarca a O MIRANTE.
Numa publicação recente nas suas redes sociais, José Trincão Marques escreveu que o edifício em causa “apresenta danos estruturais gravíssimos” o que levou, por sua vez, o vereador do PSD, Tiago Ferreira, a fazer uma comunicação onde questiona se foi preciso o LNEC ir a Torres Novas para “constatar uma realidade conhecida há vários anos” e evidenciada por um relatório dessa mesma entidade que identificou “problemas estruturais graves” no edifício.
O social-democrata deixou no ar a dúvida se estarão garantidas as condições de segurança para a comunidade escolar. Sobre esta questão, José Trincão Marques diz não estar em condições de responder com clareza. “Neste momento não sei nem ninguém sabe. Só quando vier o relatório”, disse, sublinhando que se deve aguardar a vistoria e novo relatório. O presidente salienta que é do interesse de todos o arranjo do edifício, onde “há infiltrações de água e rachas nas paredes”. Questionado por O MIRANTE sobre se não deveria o edifício ter sido alvo de uma intervenção de fundo em mandatos anteriores, José Trincão Marques diz que não fará “juízos de valor” sem ter em sua posse as conclusões de um novo relatório do LNEC.
O PSD defende uma “acção imediata com vontade política e verbas” e critica o PS por ter dito, aquando da preparação do orçamento municipal, que “não havia dinheiro”, tendo-se depois constatado, na última assembleia municipal, que “houve um excedente orçamental de cinco milhões de euros”. Tiago Ferreira vinca: “Existe saldo orçamental e a Educação é uma prioridade”.
Há mais escolas a precisar de obras
A cumprir o primeiro mandato como presidente da Câmara de Torres Novas, depois de ter sido durante dez anos presidente da assembleia municipal, José Trincão Marques reconhece que a Escola Maria Lamas necessita de ser intervencionada, assim como outros estabelecimentos de ensino do concelho, como a Escola Artur Gonçalves e a escola de Riachos. “Espero a partir de Junho começar a trabalhar no novo orçamento e já contemplar uma intervenção na [Escola] Maria Lamas e outros edifícios com problemas estruturais”, disse.
Contactada por O MIRANTE, a directora do Agrupamento de Escolas Gil Paes, Isilda Pereira, refere que “não foi realizada qualquer avaliação técnica recente que identifique problemas de segurança no edifício” e afirma que “acompanha com sentido de responsabilidade qualquer iniciativa que vise estudar, de forma rigorosa, a melhoria das condições da escola, sempre com o objectivo de beneficiar a comunidade educativa”.

Tecto caiu em 2018 mas requalificação deixou edifício de fora

Os problemas na Escola Secundária Maria Lamas têm sido tema recorrente ao longo da última década. Inaugurado em 2002, o edifício B, o mais recente, custou um milhão de euros e apresentou problemas estruturais poucos anos após a sua conclusão, desde brechas a infiltrações, tendo a sua demolição chegado a ser considerada pelo Ministério da Educação por não respeitar as normas legais referentes à certificação energética e qualidade do ar em vigor desde 2006. Em 2010 esteve prevista a sua requalificação no âmbito do programa Parque Escolar. “O processo acabou por não avançar e, desde então, não se realizaram intervenções estruturais nem de modernização”, sublinha a direcção.
Em Fevereiro de 2018, tal como O MIRANTE noticiou, o tecto de uma sala de aula desse mesmo edifício desabou. A sala estava vazia, não tendo havido feridos a registar, e nela já estavam, antes do incidente, colocados baldes para recolha de água devido a infiltrações. Em Março desse ano, o então presidente do município, Pedro Ferreira (PS), apresentou naquele estabelecimento o projecto de requalificação, orçado em 1,7 milhões de euros, que deixava de fora o edifício B. A intervenção não gerou consenso, com pais e professores a considerar prioritárias as obras no edifício mais recente. Na altura, Pedro Ferreira disse que era o projecto possível, com candidatura a fundos comunitários já aprovada e cujas obras foram decididas pelo Governo.

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