Famílias desalojadas na Calhandriz continuam à espera de respostas
Algumas famílias de Calhandriz, em Vila Franca de Xira, tiveram de sair das suas casas por causa de risco iminente de derrocada, após as tempestades de Fevereiro. Até agora continuam à espera de respostas e há quem se sinta abandonado.
Pelo menos oito famílias na Calhandriz, concelho de Vila Franca de Xira, tiveram de sair de suas casas por causa de riscos iminentes de derrocada dos edificados, devido às intempéries deste Inverno, e estão alojadas em casa de familiares. A maioria continua com as vidas em suspenso e à espera de respostas para o seu futuro. À semelhança do concelho vizinho de Arruda dos Vinhos, as tempestades de Fevereiro deixaram vários moradores da Calhandriz com as casas em mau estado, uma delas em risco iminente de derrocada. Mas houve estradas abatidas, garagens em risco de colapso e fissuras significativas em paredes, muralhas, vias e rupturas de condutas de água. Em alguns casos o acesso por automóvel às habitações não é possível.
Um dos casos que chocou a comunidade aconteceu com a mãe de Ana Afonso, que vivia na Rua dos Heróis do Ultramar. A sua casa foi primeira a ficar com as suas condições de estabilidade e segurança comprometidas. A O MIRANTE, Ana Afonso, gerente de supermercado, conta que a mãe, de 68 anos, estranhou pela hora de almoço ter deixado de conseguir fechar o portão e a porta de casa. Às 16h00 foi para a casa da filha e já não voltou mais. “Depois das 18h00, o senhorio ligou-lhe a dizer que parte da casa tinha caído. Houve uma derrocada de terras da encosta que caiu na casa. Foi uma sorte ela não se ter magoado. Foi certamente graças ao facto do meu filho ter ido mais cedo para casa”, recorda.
Chegou a ser feita uma reunião no local com os técnicos municipais mas o facto de Vila Franca de Xira não estar entre os concelhos inseridos no estado de calamidade dificultou o arranjar de uma solução, considera. “A câmara disponibilizou-se para pagar as rendas das pessoas até as situações estarem regularizadas, mas não se consegue casa com facilidade nesta zona e a minha mãe não consegue pagar uma renda de mil euros a viver sozinha”, afirma.
A solução de recurso tem sido ficar a dormir na mesma cama em que dorme o filho pequeno, situação que sensibilizou Fernando Neves de Carvalho, vereador da CDU, que em reunião de câmara considerou a situação de urgente resolução. “Há a necessidade de formalização documental que permita ter um número de processo para as pessoas poderem notificar as companhias de seguro. Temos de ajudar estas pessoas a ultrapassar o sentimento de abandono e garantir que ninguém fica para trás”, apelou.
Também o vereador David Pato Ferreira, da coligação Nova Geração (PSD/IL) lamentou que o município tenha promovido uma reunião no local com os moradores em que lhes disse para se focarem no presente e preparar o futuro, ao invés de definirem medidas e prazos concretos para a resolução dos problemas.
O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira (PS), admite que o concelho também enfrentou dias difíceis mas que sempre estiveram técnicos no terreno. “Na Calhandriz a situação é muito instável do ponto de vista dos terrenos. Está isolada uma zona da Calhandriz e as pessoas encontraram uma alternativa de urgência. Há algumas análises que não conseguimos fazer ainda, porque os terrenos estão muito ensopados e qualquer escavação para avaliação mais profunda não apresenta segurança suficiente nem para os trabalhadores nem para as casas. Há avaliações técnicas que têm de aguardar a consolidação dos terrenos”, explicou.
O autarca garantiu estar sensível com os problemas dos moradores e garantir que não ficarão abandonados à sua sorte. “Sei as perturbações que isto causa nas nossas vidas familiares. A minha família também já passou por uma situação destas e precisou desta solidariedade. Há pessoas proprietárias, inquilinas e senhorias de outras pessoas. A responsabilidade de cada um é diferente nesse processo e vamos acompanhar”, prometeu.
Em VFX, recorde-se, os prejuízos totais com as intempéries de Fevereiro rondam os 15 milhões de euros, o sexto município da Área Metropolitana de Lisboa com mais prejuízos quantificados, atrás de Setúbal (49 milhões), Lisboa (48 milhões) ou Loures (37 milhões).


