Azambuja aprova voto de repúdio pelo fecho da urgência obstétrica de Vila Franca de Xira
Autarcas estão preocupados com a segurança das grávidas que em caso de urgência passaram a ter de recorrer ao serviço no hospital em Loures. Vereadora da Saúde alerta para a pressão num hospital que já tinha falta de camas antes do fecho da urgência em Vila Franca de Xira.
O executivo da Câmara de Azambuja aprovou na reunião pública de 17 de Março, um voto de repúdio pelo encerramento do serviço de urgência obstétrica do Hospital de Vila Franca de Xira, entretanto transferido para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. A proposta foi aprovada, por unanimidade, com os votos favoráveis dos eleitos do PS, PSD, CDU e Chega.
Em causa está a decisão de encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Vila Franca de Xira (HVFX), que serve também os concelhos de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente, passando os utentes a ser encaminhados para o Hospital Beatriz Ângelo (HBA), no concelho de Loures. “A solução apresentada de transferência para o Hospital Beatriz Ângelo não serve as populações do concelho, pois não existem transportes públicos directos e permanentes entre estes territórios e o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e as populações do concelho passariam a estar a mais de 50 quilómetros e a mais de uma hora de caminho, situação crítica e inaceitável em casos de emergência obstétrica”, lê-se no documento apresentado pelo vereador da CDU, António Torrão.
A vereadora com o pelouro da Saúde, Ana Coelho (PS), considera que o encerramento das urgências obstétricas no HVFX vai aumentar a pressão que já existe no Hospital Beatriz Ângelo, dando conta que dias antes do fecho “não houve camas para acolher partos”. Uma realidade que na sua opinião tenderá a piorar. “Estamos a falar de 250 mil habitantes, é óbvio que a pressão vai ser maior”, disse.
Ana Coelho destacou que Azambuja fica a “uma distância grande de loures e que nestas situações- de urgência obstétrica- todos os minutos contam”, havendo por isso “receio de não haver condições nem segurança para acolher as mulheres num momento da sua vida em que merecem todos os cuidados e com a menor ansiedade possível”. Há ainda, vincou, o receio que “com a diminuição do número de partos em Vila Franca de Xira, que passa a receber apenas mulheres com partos programados, venham a encerrar a maternidade. “A senhora ministra disse que não estava previsto mas o fecho das urgências obstétricas também não estava e aconteceu”, afirmou, realçando que Azambuja assim como os restantes quatro municípios servidos pelo HVFX vão “continuar a luta” pela reabertura do serviço, que inclui a recolha de assinaturas numa petição que tem a ambição de chegar a discussão na Assembleia da República.
Os vereadores do PSD, Luís Benavente e Margarida Lopes, apresentaram uma declaração de voto, onde afirmam que a CDU foi também parte integrante da solução política que sustentou governos do PS que contribuíram para a situação actual do Sistema Nacional de Saúde. Apesar disso, vincaram, “quando estão em causa as condições de saúde das pessoas do concelho de Azambuja, o PSD não exita” e coloca-o “acima de qualquer divergência partidária”, tendo por isso votado favoravelmente o voto de repúdio.
A aprovação deste voto de repúdio a acontece um dia depois de os autarcas abrangidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira terem saído insatisfeitos de uma reunião com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins. A governante assegurou aos autarcas que o encerramento das urgências obstétricas “é provisória” e se deve ao reduzido número de obstetras.
Em substituição da urgência no Hospital de Vila Franca abriu na segunda-feira, 16 de Março, uma urgência regional de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Loures, a primeira criada no âmbito do novo modelo para responder à falta de profissionais de saúde.


