Sociedade | 18-03-2026 18:00

Populações de Torres Novas reivindicam rede de saneamento básico

esgotos tampa esgoto
foto ilustrativa

São várias as localidades do concelho de Torres Novas que continuam a não ter rede de saneamento básico. Moradores falam em desigualdade territorial e defendem modelo organizado de apoio à limpeza de fossas sépticas até à instalação da rede.

Moradores de várias localidades do concelho de Torres Novas onde a rede de saneamento básico continua a ser inexistente estão cansados de promessas e resolveram pôr em marcha uma petição a reivindicar a construção dessa infraestrutura. A recolha de assinaturas ainda está a decorrer mas os moradores decidiram apresentar em público as suas reivindicações na última Assembleia Municipal de Torres Novas, considerando que a inexistência desta infraestrutura cria uma “desigualdade territorial condicionando a qualidade de vida das populações”.
No documento, lembram que o saneamento básico constitui uma “infraestrutura essencial à saúde pública, protecção ambiental e desenvolvimento sustentável” e lamentam as “assimetrias” existentes naquele concelho onde, “apesar da evolução em várias zonas”, há outras que continuam a não ter rede de saneamento instalada. Entre outras, estão as localidades de Caveira, Foros da Barreta, Vale Carvão, Carril e Vila Cardilium.
“A população residente vê-se obrigada a soluções individuais, muitas vezes com custos elevados e limitações técnicas que não substituem uma resposta de interesse colectivo”. Até porque, salientam, algumas das soluções utilizadas podem não estar a garantir uma impermeabilização compatível com a garantia de saúde pública.
Os 88 moradores que até à data da sessão da assembleia municipal tinham assinado a petição pedem àquele órgão deliberativo que promova a análise para a implementação de saneamento básico em planeamento municipal, planos plurianuais de investimento e eventuais candidaturas a financiamento. E, enquanto não se concretiza o investimento, que seja avaliada a criação de um “modelo organizado de apoio à limpeza das fossas sépticas”, assente num regime de pagamento por parte dos moradores “equivalente à taxa de tratamento de águas residuais aplicada aos utilizadores com saneamento básico promovendo ganhos de escala e maior previsibilidade de custos e gestão ambiental responsável”.

Expansão da cobertura da rede não está prevista até 2028
O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques (PS), comprometeu-se, junto da Águas do Ribatejo (AR), a “desenvolver diligências no sentido de a breve prazo todo o concelho esteja coberto” por rede de saneamento. “Podem contar comigo para junto da AR podermos priorizar esta intervenção”, afirmou, considerando essa instalação uma “prioridade fundamental para a qualidade de vida e defesa do ambiente”. Trincão Marques lembrou que se trata de investimentos avultados que dependem de candidaturas a fundos, dando como exemplo um deles que se estima que ascenda aos 4,5 milhões de euros.
Questionada por O MIRANTE, a Águas do Ribatejo refere que não se encontra prevista, para o triénio 2026-2028, a expansão da cobertura de saneamento naquelas localidades. Contudo, salienta, “os pedidos dos munícipes são registados e analisados regularmente, sendo ponderados em função de critérios técnicos, ambientais, demográficos e de viabilidade económica, em articulação com os municípios, dependendo em grande medida da obtenção de financiamento da União Europeia”.

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