João Moura controla PSD de Ourém em eleições com apenas 60 votantes e anuncia candidatura à câmara
Com uma fraca participação de menos de um terço dos militantes activos do PSD de Ourém, João Moura assumiu a presidência da concelhia para preparar a sua candidatura à câmara.
O político social democrata de Ourém, João Moura, que é secretário de Estado da Agricultura, ainda está no Governo e já está a preparar o seu futuro, dando a entender que pretende ser presidente da Câmara de Ourém. A situação causou algum espanto a figuras locais do PSD, tendo em conta que ainda há pouco tempo se iniciou um novo mandato e ainda falta três anos e seis meses para as eleições autárquicas. Para começar a preparar o terreno, João Moura aproveitou o facto de Humberto Antunes já não se poder recandidatar à concelhia do partido, que é quem define os candidatos autárquicos, e conseguiu candidatar-se a líder concelhio do partido sem concorrência de outra lista.
Apesar de ser governante e de também presidir à Assembleia Municipal de Ourém, o político, que tem um vasto leque de conhecimentos dentro do partido por ter sido por várias vezes líder distrital do PSD, só conseguiu mobilizar uma pequena parte dos militantes em apoio à sua candidatura. Nas eleições ocorridas recentemente, os resultados ficam aquém das expectativas, com João Mora a obter 53 votos de apenas 60 votantes (seis em branco e um nulo) quando a concelhia tem perto de 200 militantes no activo. Curiosamente, nem a concelhia nem o novo presidente divulgaram os resultados, pelo menos até ao fecho desta edição, pelo menos 15 dias depois da votação.
A lista de João Moura para gerir a concelhia numa altura em que pode começar a preparar terreno para ser escolhido como candidato à câmara, tendo em conta que Luís Albuquerque já não se pode recandidatar, tem dois elementos sobre os quais tem influência, como é a sua secretária na assembleia municipal, Ana Vieira, e o vereador Rui Vital, que ocupam os cargos de vice-presidentes da comissão política de Ourém. O ex-presidente, Humberto Silva, o ex-presidente da Junta de Fátima, a contas com a justiça acusado de recebimento indevido de vantagem ao beneficiar uma pedreira, fica como vogal. O secretário também vem da assembleia municipal e é o segundo secretário, Nuno Dias, que já tinha desempenhado o cargo na concelhia na liderança de Humberto Antunes. O tesoureiro, que já vinha da anterior direcção é o vereador Filipe Batista.
A perspectiva de que João Moura está com um pé no Governo e outro já na autarquia está respaldada numa entrevista que o político deu recentemente ao “Notícias de Ourém”, em que assume que tem um projecto para a concelhia que não se limita a dois anos de mandato. E chega mesmo a falar num novo ciclo político no concelho e admite que esta é a altura para começar a preparar o novo ciclo político. Com isto João Moura parece querer garantir manter um poder executivo caso deixe de ser governante numa situação em que o PSD perca as eleições legislativas ou que seja dispensado de um novo elenco governativo se o partido mantiver a governação.


