Sociedade | 19-03-2026 07:00
Lezíria avança para mobilidade eléctrica com 16 autocarros novos
A Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) quer pôr 16 autocarros elétricos a circular em várias ligações urbanas e interurbanas da região, numa aposta que promete mudar a mobilidade pública, mas que continua presa à instalação da infraestrutura de carregamento.
A CIMLT vai reforçar a rede de transportes públicos da Lezíria do Tejo com 16 autocarros elétricos, numa operação que abrange circuitos urbanos e interurbanos e que representa um passo importante na transição para uma mobilidade mais sustentável. Apesar de os veículos já estarem adquiridos, a sua entrada em circulação continua dependente da instalação dos carregadores e da concretização de vários procedimentos burocráticos ligados ao fornecimento de energia.
À margem do seminário “Resiliência Climática e Proteção Civil”, que decorreu em Alpiarça, o secretário-geral da CIMLT, António Torres, explicou que a comunidade intermunicipal tem em curso uma candidatura ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para suportar esta operação, que prevê a substituição da atual frota por viaturas elétricas.
“Todos os transportes urbanos de Santarém passarão a ser elétricos”, afirmou o responsável, sublinhando o impacto que esta renovação terá no serviço prestado à população.
Além dos circuitos urbanos de Santarém, a operação inclui quatro autocarros interurbanos para reforçar ligações entre vários concelhos da região. Estão previstas melhorias nas ligações entre Golegã, Chamusca, Alpiarça, Almeirim e Santarém, bem como entre Salvaterra de Magos, Benavente, Samora Correia e Vila Franca de Xira, e ainda no eixo Santarém, Cartaxo, Azambuja e Carregado.
O plano contempla também dois miniautocarros elétricos, destinados aos circuitos urbanos de Rio Maior e da Chamusca, integrando a oferta municipal de transporte público.
António Torres considera que, com este reforço, a região ficará “mais ou menos coberta com um modelo suave de transportes públicos”, embora reconheça que o processo está condicionado por exigências técnicas e administrativas que não se resolvem de forma imediata.
A CIMLT identificou já pontos para instalação de carregadores em Santarém, Coruche, Salvaterra de Magos e Rio Maior, mas a montagem dessas infraestruturas depende de autorizações da E-Redes e da criação de postos de transformação com maior potência.
“Estamos a falar de fornecimentos e não é de um dia para o outro. Tem a ver com instalações de postos de transformação para maior potência (…), mas estamos a fazer todos os esforços para ter tudo pronto até agosto”, afirmou António Torres, referindo-se ao prazo-limite da candidatura ao PRR.
Se esse calendário for cumprido, a comunidade intermunicipal pretende iniciar, no último trimestre deste ano, contactos com os operadores que atualmente asseguram o serviço, de forma a integrar as novas viaturas elétricas na operação. Segundo o secretário-geral da CIMLT, os autocarros deverão entrar em circulação “nos últimos dois meses [de 2026] ou no início do ano que vem”.
Em paralelo, a CIMLT está também a avançar com a criação de uma empresa intermunicipal de transportes públicos, cuja entrada em funcionamento está apontada para setembro de 2027. O processo deverá correr lado a lado com o reforço imediato das ligações através dos operadores já existentes.
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