Sociedade | 20-03-2026 18:00
Alpiarça debateu clima e protecção civil num seminário marcado pela urgência da prevenção
Na Casa dos Patudos, especialistas, autarcas e responsáveis institucionais defenderam uma nova resposta às alterações climáticas, com mais planeamento, mais ciência e menos reacção de emergência.
Alpiarça recebeu, no dia 18 de Março, o seminário “Resiliência Climática e Proteção Civil”, uma iniciativa que juntou especialistas, decisores políticos e técnicos para discutir formas de prevenção, adaptação e resposta rápida aos fenómenos extremos que têm vindo a afectar a região do Tejo. O encontro decorreu na Casa dos Patudos, Museu de Alpiarça, no âmbito do projecto europeu Interreg Europe – RESUREXION, em colaboração com o Serviço Municipal de Proteção Civil de Alpiarça. A sessão afirmou-se como um espaço de reflexão sobre os desafios colocados pelas alterações climáticas, sobretudo em territórios vulneráveis e em bacias hidrográficas sujeitas a fenómenos extremos.
A presidente da Câmara de Alpiarça, Sónia Sanfona, defendeu uma mudança de paradigma na forma como a protecção civil é encarada. A autarca sublinhou que já não basta actuar apenas no socorro e na resposta à emergência, sendo hoje indispensável apostar na antecipação, na prevenção e na adaptação. Recordou ainda que fenómenos como as cheias se tornaram mais frequentes e imprevisíveis, aumentando a pressão sobre infra-estruturas, comunidades e sistemas de resposta. Sónia Sanfona chamou também a atenção para a necessidade de proteger infra-estruturas críticas, como o abastecimento de água e energia, e para a importância da gestão eficiente das barragens e dos caudais do Tejo. Num concelho com forte ligação à agricultura, referiu igualmente os problemas que os agricultores enfrentam, desde a escassez de água à alteração dos ciclos produtivos, defendendo políticas públicas mais ajustadas à nova realidade climática. Destacou ainda o valor da biodiversidade e dos ecossistemas ribeirinhos, considerando-os essenciais para a regulação natural das cheias e um activo estratégico no combate às alterações climáticas.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, reforçou a ideia de que as alterações climáticas são já uma realidade bem visível no território nacional, apontando fenómenos recentes como secas, incêndios e cheias intensas. A governante salientou a importância da prevenção e da ciência, nomeadamente através de modelos de previsão e da gestão antecipada das barragens, mecanismos que, disse, ajudaram a mitigar os impactos das cheias mais recentes. Sublinhou também a relevância da cooperação com Espanha na gestão do Tejo. Maria da Graça Carvalho apresentou medidas organizadas em três eixos, recuperação, resiliência e adaptação, que incluem intervenções em rios e ribeiras, reforço de infra-estruturas, melhoria da resiliência energética e hídrica, e acções dirigidas à floresta e ao litoral.
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