Equipas de intervenção permanente nos bombeiros ateiam divergências entre PS e PSD em Santarém
A bancada socialista na Câmara de Santarém propôs que a autarquia desse parecer positivo à candidatura para criar três novas equipas de intervenção permanente, uma em cada corporação de bombeiros voluntários do concelho. A gestão PSD considerou a proposta do PS só “para ficar bem na fotografia” e com reduzidas hipóteses de êxito.
A bancada do PS na Câmara de Santarém apresentou uma proposta para que o município desse parecer positivo às candidaturas para criação de novas equipas de intervenção permanente (EIP) nos Bombeiros Voluntários de Alcanede, Pernes e Santarém, o que pressupunha um esforço financeiro da autarquia na ordem dos 120 mil euros anuais caso fossem aprovadas. A proposta acabou rejeitada pela maioria PSD que governa o município, com o voto de qualidade do presidente João Leite, já que se registou um empate a quatro entre votos a favor e contra. O vereador do Chega absteve-se.
O prazo para a candidatura a novas EIP junto da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) foi prorrogado até dia 20 de Março e o PS quis aproveitar essa oportunidade para alargar a capacidade de resposta das corporações de bombeiros do concelho, aumentando-a em mais 15 operacionais a tempo inteiro dedicados ao socorro. “Um aumento de capacidade que custa à câmara um valor de cerca de 8 mil euros por operacional, o que é pouco significativo tendo em conta o retorno para a sociedade no geral”, alegava-se na proposta socialista, apresentada pelo vereador Pedro Ribeiro.
A resposta por parte do PSD veio do vice-presidente da câmara e titular do pelouro da Protecção Civil, Emanuel Campos, que considerou tratar-se de uma “abordagem imediatista” só “para ficar bem na fotografia”. E questionou se o concelho necessita de mais três EIP quando cada corporação de bombeiros voluntários já conta com três equipas com essas características, a que se somam os bombeiros sapadores. Palavras reforçadas mais tarde pelo presidente João Leite.
Emanuel Campos considerou ainda que essa eventual candidatura teria poucas probabilidades de êxito, pois só vão ser criadas vinte novas EIP em todo o país, tendo a estratégia seguida, em articulação com as associações de bombeiros, sido a de candidatar apenas mais uma EIP por ano, que em 2026 será dos Voluntários de Santarém. Acrescentou que o município tem vindo, e vai continuar, a investir no reforço do sector da Protecção Civil e bombeiros. “De que serve candidatar três EIP se sabemos que não vão ser aprovadas?”, questionou.
O vereador do Chega, Pedro Correia, considerou a proposta do PS “demasiado simplista” - sem estudos, pareceres ou notas explicativas que ajudassem a fundamentá-la -, embora admitisse que, “por princípio, é boa”. Mas apontou que, para o seu partido, o melhor seria investir em equipas de sapadores florestais que actuassem na limpeza da floresta e na prevenção.
Pedro Ribeiro respondeu que não foi colocado mais nada na proposta porque não havia mais nada a colocar, já que o enquadramento legal das EIP é claro e está devidamente regulamentado. “É uma questão de aproveitar as oportunidades”, reforçou.


