Ratos, ruído e falta de acessibilidade levam queixas à Câmara de Tomar
Duas munícipes levaram à reunião do executivo problemas que afectam o dia-a-dia em Tomar, desde ratos numa habitação e falhas de acessibilidade até ao ruído provocado por unidades industriais junto de casas na Charneca do Machial.
Duas munícipes aproveitaram o período de intervenção do público na reunião de câmara de Tomar, realizada a 9 de Março, para expor problemas que dizem afectar a sua qualidade de vida. Em causa está a presença de ratos numa habitação, a falta de lugares de estacionamento adaptados, alegadas falhas de internet no centro de saúde e o impacto do ruído provocado por unidades industriais instaladas junto a habitações na Charneca do Machial.
Marisa Ferreira da Costa começou por relatar a presença de roedores no sótão da sua casa, referindo que os serviços municipais já tinham efectuado uma vistoria ao local. Segundo a munícipe, o relatório confirmou a existência de ratos, mas a vice-presidente da câmara, Célia Bonet (AD/PSD-CDS), esclareceu que o município não faz desratização em habitações particulares. A resposta não convenceu a moradora, que rejeitou qualquer responsabilidade pela situação. “Os ratos não nascem no meu sótão”, afirmou, defendendo que os animais vêm do exterior e que o problema resulta da falta de cuidado de vizinhos. A mesma munícipe levantou também a questão da inexistência de um lugar de estacionamento reservado junto à sua residência. Com dificuldades de mobilidade, apontou ainda outros locais do concelho onde considera que as normas de acessibilidade não estão a ser respeitadas, nomeadamente no Largo 5 de Outubro e na zona do tribunal. A vereadora Sandra Cardoso respondeu que existem dois lugares reservados a pessoas com mobilidade condicionada a cerca de 70 metros da habitação, considerando que não é possível criar um lugar mesmo à porta. A resposta gerou indignação. “Gostaria que a senhora tivesse a minha dificuldade e ficasse de cama por andar 70 metros”, atirou Marisa da Costa, rematando que “as leis não são iguais para todos”. Ainda durante a intervenção, a munícipe insistiu que o centro de saúde continua sem internet, situação que, garantiu, não está relacionada com o temporal recente. Célia Bonet respondeu que, do conhecimento da autarquia, “tudo corre como é devido”.
Também Florbela Marante levou ao executivo uma queixa antiga, que remonta a Abril de 2024, sobre as condições de vida na Rua da Associação, na Charneca do Machial, devido à proximidade da zona industrial. A moradora descreveu um quotidiano marcado pelo ruído das metalomecânicas Valdemar, que, segundo disse, laboram de portas abertas desde as seis da manhã, e pelo som vindo do Matadouro Regional Esperança. Referiu ainda o incómodo causado pela moagem de fenos da empresa Diamantino Coelho, lamentando o impacto do ruído e dos odores no dia-a-dia dos moradores e a desvalorização dos imóveis naquela zona. Pediu esclarecimentos sobre o licenciamento do alargamento do Matadouro Esperança e sobre a utilização de um novo pavilhão entretanto construído. Disse ter enviado emails ao então presidente da câmara, Hugo Cristóvão (PS), em 2024, e relatou ter sido informada pela presidente da junta de que existia um projecto para instalação de barreiras sonoras e arborização para mitigar o impacto do ruído.
Célia Bonet reconheceu a gravidade das queixas e garantiu que o assunto será tratado como prioritário, admitindo que afecta o bem-estar da população. Sandra Cardoso acrescentou que existe, desde Setembro de 2025, um processo no departamento de obras municipais que prevê a criação de uma cortina verde, estando ainda a aguardar um estudo técnico que avalie os impactos da zona industrial.
Hugo Cristóvão, agora vereador da oposição, recordou que a zona industrial existe há mais de 40 anos e disse que as empresas operam dentro da legalidade em termos de ordenamento do território. Admitiu, no entanto, que as queixas de ruído surgiram na fase final do anterior mandato, quando ainda presidia ao município, assegurando que foram feitas diligências para procurar soluções.


